Brasil

Adotada, garota exibe criatividade ao escola pedir fotos suas 'na barriga' da mãe

Trabalho fazia parte de uma homenagem ao dias das mães

Agência O Globo

O dever de casa que a escola passou para a turma da filha de Junya Santanna, de 50 anos, moradora de Belo Horizonte, parecia simples: levar fotos da mãe grávida (chamadas de "fotos da barriga", do nascimento e dela própria ainda bebê. Mas para Bárbara, de 9 anos, o trabalho foi considerado quase impossível. A menina sabia que era adotada, então como poderia mostrar sua mãe grávida para as professoras e os colegas?

A microempresária mineira contou ao EXTRA nesta sexta-feira que não queria ver a filha excluída da atividade escolar escolhida dias antes do último dia das mães. Ela afirmou ainda que não culpou a instituição pelo projeto solicitado, pois sabe que o conceito de família é normalmente visto sob um aspecto tradicional.

— Ela chegou em casa dizendo: 'Mãe, a professora pediu um trabalho que tem que entregar na semana que vem, que tem que ter foto. É foto da barriga, foto do parto e foto bebê. A Bárbara sempre soube que foi adotada, mas eu não queria que ela se sentisse excluída de uma atividade escolar. As pessoas pensam muito no aspecto tradicional, mas não julguei o trabalho, porque vejo como normal. Decidi resolver o problema com ela, em casa — afirmou a mãe da pequena. — Eu adotei a Bárbara quando ela tinha 4 meses. Tentei engravidar por cinco anos, e então entrei na fila de adoção, onde permaneci por três anos — relembrou.

Foto: Reprodução
A menina reagiu com espanto após a mãe lhe dizer: "Vamos tirar uma foto sua na minha barriga!", solucionando o problema do exercício. De imediato, ela questionou: "mas como assim, mãe?". Então Junya explicou sua ideia: fazer um recorte oval numa camiseta, na altura da barriga, e chamar a filha para sorrir para a câmera, estando ali, no meio do furo. Assim, Bárbara teria, afinal de contas, uma "foto da barriga", como pedia o enunciado do dever de casa. A reação da criança foi de muita alegria no dia do ensaio fotográfico, marcado por risadas.

— Ela ficou super feliz! Levou o trabalho para a escola e a professora percebeu a mancada do exercício, mas elas não sabiam que a Bárbara era adotiva. Ela não mostraria os trabalhos dos alunos na frente da turma, mas gostou da criatividade e contou a história da minha filha na sala de aula, mostrou para os colegas dela. O álbum de fotos foi muito bem recebido. Todo mundo achou super bacana, foi divertido, acharam graça, sabe como são as crianças, né? — relatou a microempresária em entrevista ao EXTRA.

A mineira também é mãe de Gabriela, apenas 1 ano e 7 meses mais nova que Bárbara. Segundo Junya, a gravidez veio logo após a adoção da primeira filha.

— As duas estudam na mesma escola. Ficam uma fiscalizando a outra — concluiu, aos risos.

Para a data comemorativa a ser comemorada no próximo dia 13, Junya disse que a escola ainda não passou uma atividade semelhante para os estudantes da turma do 4º ano do ensino fundamental, em que a Bárbara está matriculada neste ano.

— A comemoração do dia das mães não é mais tão usual nas escolas e não vejo isso como algo negativo, porque pode não ser adequado para todas as crianças — frisou Junya.

Para ela, a adoção é um tema que "quase não é abordado nas escolas", por ainda ser visto como um tabu.

— A Bárbara encara a questão da adoção de forma muito tranquila, ela não se sente como uma coitadinha, não tem segredo. Na escola, eu falo em reunião com professores e coordenadores: ela não tem que receber tratamento diferente por ser adotiva. Um filho adotivo é igual a qualquer outro — acrescentou.