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Após morte do pastor Anderson, bancada evangélica discute afastamento de Flordelis

Grupo de deputados pedem afastamento dela do cargo de vice-presidente da frente

Natália Portinari, da Agência O Globo
- Atualizada em

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) é assunto polêmico na bancada evangélica da Câmara dos Deputados. A frente discute o que fazer a respeito do incômodo assunto sobre a suspeita de envolvimento dela na morte de seu marido, o pastor evangélico Anderson do Carmo. Sem consenso a respeito do assunto, os parlamentares ficam divididos em dois grupos. Parte dos deputados defendia o afastamento de Flordelis do cargo, na reunião realizada nesta terça-feira. Outros ponderavam que, como cristãos, cabe aguardar uma acusação formal contra ela antes de tomar qualquer atitude.

— Como evangélicos, o importante nesse momento é evitar qualquer tipo de pré-julgamento — diz Gilberto Nascimento (PSC-SP). Antes da morte do marido, a deputada e cantora gospel era uma das mais ativas da frente, uma das poucas mulheres com envolvimento nas reuniões e articulações.

Foto: Reprodução

O pastor Abílio Santana (PL-BA), amigo de Anderson e Flordelis, é um dos que se amargurou com a morte do pastor, de quem era muito próximo. No grupo de WhatsApp da frente evangélica, ele posta notícias sobre o envolvimento de Flordelis e pede que Justiça seja feita por seu amigo.

Flordelis está no grupo, mas não responde às mensagens. Procurado, Abílio não quis comentar o caso. Recentemente, a deputada chegou a procurar o pastor Marco Feliciano (PODE-SP) para intermediar uma conversa sua com Santana e reatar a amizade.

O pastor baiano, que conhece Flordelis e Anderson há duas décadas, negou encontrá-la nessas condições, segundo interlocutores seus. Assim como os outros deputados da frente, ele tem mantido distância de Flordelis desde o crime.

A deputada tem comparecido regularmente às sessões da Câmara, mas só por alguns minutos, para marcar presença ou votar. Não se dedica às conversas que costumava ter com colegas. Procurada pelo jornal 'O Globo', disse que só sua advogada poderia comentar a investigação.

Deputados dizem que ainda a cumprimentam, mas, como aguardam a conclusão da investigação policial para formar opinião, têm evitado conversar. Alguns já especulam como irão se portar em um eventual processo de cassação, caso haja uma acusação contra a deputada.

O inquérito policial do caso, ao qual o jornal 'O Globo' teve acesso, mostra que pelo menos cinco filhos do casal —de um total de 55, a maioria adotivos — deram depoimentos que comprometem a mãe. O mais contundente foi o do vereador de São Gonçalo Wagner Pimenta, conhecido como Misael, que chamou Flordelis de "mentora intelectual" do crime.