Brasil

Assassino confesso de pastor, filho de Flordelis diz que não planejou crime

Flávio, um dos filhos biológicos da deputada federal Flordelis dos Santos, deu as declarações aos policiais três dias após o assassinato

Carolina Heringer, da Agência O Globo
- Atualizada em

No depoimento em que assumiu à polícia ter matado o padrasto, o pastor Anderson do Carmo, Flávio Rodrigues dos Santos, contou à polícia que o crime não foi premeditado e “a situação e oportunidade” o levaram a praticar o ato. Flávio, um dos filhos biológicos da deputada federal Flordelis dos Santos, deu as declarações aos policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo no dia 19 de junho, três dias após o assassinato.

Foto: Reprodução
Sobre a madrugada do crime, Flávio alegou que Lucas entrou em seu quarto, na casa da família em Pendotiba, Niterói. Segundo ele, o irmão e foi para o banheiro tomar banho, mas não conseguiu porque não havia água. Flávio diz que eles não conversaram naquele momento, mas ele “reparou que Lucas estava armado”.

O filho de Flordelis diz, ainda, “que como aquele horário não era comum Lucas entrar na casa, imaginou que ele estivesse tramando contra a vida de algum familiar”. De acordo com Flávio, de cinco a dez minutos após a saída de Lucas de seu quarto, ele pegou a arma que estava escondida na gaveta do armário e saiu para procurá-lo.

Ao descer para procurar Lucas, Flávio se deparou com Anderson na garagem, com a porta do carro aberta, mexendo em algo dentro do veículo. Ele conta “que se aproveitou da situação e aproveitando que Anderson não tinha te visto, resolveu disparar” contra a vítima, pois estava com ódio do que Simone havia lhe contado. Flávio alega ter ficado sabendo pela irmã que Anderson havia "passado a mão" em uma de suas netas e na própria Simone. Em depoimento, as meninas negam.

Flávio disse que ninguém o ajudou ou pediu para matar o pastor e afirmou ainda que não mantinha a ideia de matar Anderson na cabeça. Ele disse que havia comprado a arma para defender a família de Lucas e admite ter pedido ajuda do próprio irmão para fazer a compra.

O filho de Flordelis disse que o carregador da pistola que ele usava na hora do crime estava cheio, mas ele deu apenas seis disparos. Exame do Instituto Médico Legal, no entanto, revela que o pastor tinha 30 marcas de perfuração pelo corpo. Flávio e Lucas viraram réus pela morte de Anderson. O primeiro, por ter atirado na vítima e o segundo, por ter ajudado o irmãos a comprar a arma usada no crime.