Brasil

Atores comemoram decisão em criminalizar homofobia: 'Avanço'

O galã Leonardo Vieira, de 50 anos, que atualmente vive em Portugal com o marido, classificou a decisão como um avanço

Agência O Globo
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A aprovação pelo Senado do projeto que inclui na Lei do Racismo crimes de discriminação por orientação sexual ou de identidade de gênero, foi comemorado por alguns atores que assumiram publicamente sua homossexualidade. O galã Leonardo Vieira, de 50 anos, que atualmente vive em Portugal com o marido, classificou a decisão como um avanço.

Foto: Reprodução | Instagram

"Somos o país que mais mata LGBTs no mundo. Com a decisão de hoje do STF , lgbtfobia passa a ser crime no Brasil . É um avanço!", postou ele, que contou em recente entrevista ao EXTRA, que um dos motivos que o fizeram deixar o Brasil foi ter recebido "ameaça de morte por ser gay".

O parecer do relator, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), incluiu a proibição de “impedir ou restringir a manifestação razoável de afetividade de qualquer pessoa em local público ou privado aberto ao público”. Mas o texto inclui uma ressalva para templos religiosos nesses casos.

Hugo Bonemer, que assumiu publicamente o seu relacionamento com o também ator Conrado Helt no ano passado, fez um post refletindo sobre homofobia x liberdade religiosa.

"Minha cara quando usam na mesma frase 'homofobia' e 'liberdade religiosa'. Jesus só falou coisas lindas e nunca encheu o saco das bichas. Se sua religião se chama Levítica ou Romana vai fundo, sao os livros que dizem que gente como eu nasceu errado. Se for Cristã, escuta o que Cristo falou. Segundo a história ele veio pra mudar o jeito que as pessoas se tratavam. Ele é meu amigão, pode ser seu também", escreveu Bonemer.

Casado há 21 anos com o diretor de teatro de teatro Sergio Módema, o ator Gustavo Wabner, que ficou conhecido nacionalmente por interpretar o professor René, par romântico da Professora Helena (Rosanne Mulholland) na versão brasileira de "Carrossel", também usou o Instagram para comemorar.

"Homofobia agora é CRIME! Parabéns ao STF pela decisão. Justiça. Toda a forma de amor vale a pena".

Luis Lobianco, que interpretou o personagem Clovinho Falcão na novela "Segundo sol", postou uma foto com o marido, o pianista Lúcio Zandonadi, para comentar o assunto.

"Hoje o STF prossegue com o julgamento que criminaliza a LGBTIfobia. Não há no Mundo um lugar completamente seguro para uma pessoa LGBTI viver. Mas existem países com leis e a garantia do cumprimento dessas leis salva nossas vidas". 


"Eu sou carioca e o Brasil é um dos primeiros países no ranking da prática de crimes de ódio contra nós. Dentro da sigla há grupos com mais vulnerabilidade que outros. Tenho concessões por ser um homem cisgênero, branco e de classe média. Isso não quer dizer que eu não tenha convivido com o medo a vida toda. Na infância rebolar (ou não) pra evitar o bullying e apontamentos, principalmente de adultos".

"Na adolescência ser invisível nos ônibus voltando pra casa depois do teatro porque pode ser mortal um "machão" suspeitar de você. Ainda hoje, ter que calcular quando posso dar as mãos para o meu marido na rua, pela nossa segurança. Não há "privilégios" pra quem teve o Não diariamente presente. Imaginem o que passam as pessoas trans! Postar essas fotos com beijo no Tamanho Família e ainda desfilar a pochete irônica do "kit Gay" contra esse governo desastroso ainda envolve risco e coragem. Talvez só quem vive isso sabe, mas o movimento é contra haters, são bem-vindos os aliados e empáticos", concluiu o ator.

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Hoje o STF prossegue com o julgamento que criminaliza a LGBTIfobia. Não há no Mundo um lugar completamente seguro para uma pessoa LGBTI viver. Mas existem países com leis e a garantia do cumprimento dessas leis salva nossas vidas. Eu sou carioca e o Brasil é um dos primeiros países no ranking da prática de crimes de ódio contra nós. Dentro da sigla há grupos com mais vulnerabilidade que outros. Tenho concessões por ser um homem cisgênero, branco e de classe média. Isso não quer dizer que eu não tenha convivido com o medo a vida toda. Na infância rebolar (ou não) pra evitar o bullying e apontamentos, principalmente de adultos. Na adolescência ser invisível nos ônibus voltando pra casa depois do teatro porque pode ser mortal um "machão" suspeitar de você. Ainda hoje, ter que calcular quando posso dar as mãos para o meu marido na rua, pela nossa segurança. Não há "privilégios" pra quem teve o Não diariamente presente. Imaginem o que passam as pessoas trans! Postar essas fotos com beijo no Tamanho Família e ainda desfilar a pochete irônica do "kit Gay" contra esse governo desastroso ainda envolve risco e coragem. Talvez só quem vive isso sabe, mas o movimento é contra haters, são bem-vindos os aliados e empáticos. O julgamento pode ser adiado porque o Ministro Toffoli incluiu novas pautas. Vamos avançando aos trancos e barrancos, nada vai segurar a gente. E até o dia da igualdade plena vai ter textão, retrato com orgulho e a nossa bandeira constantemente colorindo esse espaço! ????️‍???? Foto 2 do Fabiano Battaglin

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