Brasil

Através de advogado, João de Deus se posiciona sobre casos de assédio sexual

Em correspondência à Justiça, a defesa do médium afirma que ele recebe com 'indignação' as denúncias de abuso sexual

Patrik Camporez, da Agência O Globo
- Atualizada em

Na primeira manifestação, depois do surgimento de dezenas de denúncias de abuso sexual contra João de Deus , a defesa do médium afirmou nesta segunda-feira (10), em documento protocolado na Justiça de Abadiânia (GO), que o líder espiritual recebeu “com indignação” a existência das acusações. Assinado pelo advogado Alberto Toron, o ofício registra que João de Deus “rechaça” o que classifica de “qualquer prática imprópria dos seus procedimentos”.

Foto: Reprodução
Toron afirmou que João de Deus está em São Paulo, onde ambos preparam sua defesa. O caseiro do médium afirmou ao GLOBO que ele teria sido visto pela última vez em sua casa, em Anápolis (GO), na última sexta-feira .

De acordo com Toron, o líder espiritual pretende colocar-se à disposição das autoridades: “(João de Deus) reuniu-se hoje comigo aqui em São Paulo e hoje ingressamos com petições colocando-o à disposição das autoridades”.

“Diante das graves afirmações veiculadas em seu nome por órgãos da imprensa, é fundamental que o peticionário possa exercer sua defesa para restabelecer a verdade sobre os fatos e preservar sua imagem e dignidade", diz a defesa do médium no documento.

O advogado do médium disse, no entanto, que ele não pretende prestar esclarecimentos à sociedade ou aos seguidores que ainda o procuram no seu centro espiritualista em Abadiânia: “Ainda é cedo para entrevistas”.

Forças-tarefas foram criadas em todo o país para investigar João de Deus. Centenas de denúncias foram recebidas contra o líder espiritual desde o final de semana. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) recebeu, em poucas horas, 40 relatos de abusos, e estuda interditar o centro espiritual de Abadiânia .

O Ministério Público do Rio resolveu disponibilizar suas promotorias e sua ouvidoria para receber as denúncias contra o médium . Em São Paulo, o órgão criou um e-mail para as mulheres interessadas em fazer denúncias: somosmuitas@mpsp.mp.br. Ambos os estados encaminharão as denúncias para o MP-GO.