Brasil

Avianca Brasil deve perder mais dez aviões

STJ autorizou as arrendadoras Sumisho e ACG a retomarem aeronaves alugadas à companhia aérea em recuperação judicial

Leo Branco, da Agência O Globo
Além dos dez aviões retiradas da frota da Avianca Brasil entre sexta-feira e domingo, a frota da Avianca Brasil deve encolher mais em breve. Na sexta-feira (12/4) as empresas de leasing ACG e Sumisho conseguiram no Superior Tribunal de Justiça (STJ) o direito de retomar nove aviões e um motor alugados à companhia aérea, em recuperação judicial desde dezembro. Desses, três já saíram da Avianca.
Para piorar a situação da companhia, a Justiça paulista já autorizou o confisco de três aeronaves da PK Airfinance alugadas à Avianca. Além disso, outras 12 aeronaves podem deixar a companhia aérea em breve caso os credores vençam as batalhas judiciais contra a Avianca que estão sendo travadas em diversas varas cíveis da capital paulista.
A frota da Avianca, hoje em 26 aeronaves, deve encolher para 16 com a saída dos bens já autorizados pelas altas cortes da Justiça. Considerando os processos hoje na primeira instância, a Avianca pode ficar só com quatro aviões, de acordo com representantes dos credores ouvidos pelo jornal 'O Globo'.
Os novos confiscos devem complicar ainda mais a situação financeira da Avianca. Entre sexta-feira (12/4) e domingo (14/4), dez aviões da empresa de leasing Constitution Aircraft saíram da frota da companhia aérea. A medida forçou a companhia a cancelar 26 voos no fim de semana e 50 nesta segunda-feira (15/4). Além disso, até o próximo sábado (20/4), mais 50 decolagens serão abortadas por dia, totalizando 254. Em média, a Avianca cortou 25% da malha em relação à média de voos operados na semana passada. Procurada, a Avianca não comentou.
O encolhimento da Avianca deve gerar mais dúvidas sobre a capacidade da empresa de honrar com o acordo firmado com os credores em assembleia geral realizada no último dia 5 de abril. Na ocasião, donos da dívida da Avianca concordaram com o plano de fatiar os ativos da companhia – basicamente os slots (autorizações de pousos de decolagens) em aeroportos concorridos como Guarulhos e Congonhas – em sete Unidades Produtivas Isoladas (UPI) a serem leiloados pela Justiça no intuito de levantar pelo menos US$ 210 milhões. As concorrentes Gol e Latam já demonstraram interesse em dar lances. A data dos certames segue indefinida, mas fontes a par do assunto asseguram que deve ocorrer até o início de maio.
Os percalços financeiros já fizeram a Avianca perder mercado. De acordo com o Portal Aviação Brasil, que monitora o setor, a Avianca transportou 1,7 milhão de passageiros no primeiro bimestre de 2019 – 11% menos que no mesmo período do ano anterior. A turbulência da companhia destoa dos resultados gerais da aviação civil brasileira. Entre janeiro e fevereiro deste ano, as companhias aéreas levaram 16,7 milhões de pessoas – 5% mais que no início do ano passado.