Brasil

Bolsonaro e Moro discutem no Twitter sobre quem defendeu quem nas crises do governo

Na sexta-feira, o ex-juiz pediu demissão do cargo e agora é ex-ministro da Justiça

Agência O Globo


O presidente Jair Bolsonaro usou sua conta no Twitter, na manhã deste sábado, para dizer que manteve o apoio ao então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, em meio à crise provocada pela revelação da troca de mensagens entre Moro e procuradores da República da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba. As mensagens foram reveladas em reportagens do site "The Intercept Brasil".

A mensagem do presidente foi postada às 9h30. Duas horas antes, Moro também mandou um recado a Bolsonaro, via Twitter. "'Faça a coisa certa, pelos motivos certos e do jeito certo' foi o lema de campanha de integridade que fizemos logo no início no MJSP", postou. A mensagem está acompanhada de um vídeo institucional sobre a campanha.



Na sexta-feira, o ex-juiz pediu demissão do cargo e agora é ex-ministro da Justiça. Ele denunciou uma interferência de Bolsonaro na atuação da Polícia Federal (PF) e chegou a dizer que o presidente quer trocar o comando da PF para ter acesso a relatórios sigilosos de inteligência. Bolsonaro rebateu e disse que Moro pediu a permanência do então diretor da PF, Maurício Valeixo, até ser indicado para uma cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF a abertura de um inquérito para investigar as afirmações de Moro. Veja momentos de Sergio Moro como ministro da Justiça

Troca de mensagens

A crise está instalada no governo, com acusações de ambos os lados. A mensagem de Bolsonaro no Twitter é a primeira manifestação do presidente neste sábado sobre o caso.

"A Vaza Jato começou junho 2019. Foram vazamentos sistemáticos de conversas de Sergio Moro com membros do MPF. Buscavam anular processos e acabar com a reputação do ex-juiz. Em julho, PT e PDT pediram prisão dele. Em setembro, cobravam o STF. Bolsonaro no dia do desfile do dia 7 fez isso", escreveu o presidente, postando uma foto dele abraçado a Moro no desfile do 7 de Setembro em Brasília, no ano passado. Na ocasião, Bolsonaro quebrou o protocolo e foi à via do desfile, ao encontro de apoiadores. Moro o acompanhou no gesto.

Moro rebateu a provocação do presidente, numa nova mensagem em sua conta no Twitter. "Sobre reclamação na rede social do sr. presidente quanto à suposta ingratidão: também apoiei o PR quando ele foi injustamente atacado. Mas preservar a PF de interferência política é uma questão institucional, de Estado de Direito, e não de relacionamento pessoal", escreveu o ex-juiz e ex-ministro.

A mensagem foi acompanhada de uma reportagem jornalística sobre pedido do então ministro para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) investigassem "tentativa de envolvimento indevido" do nome do presidente na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco. O pedido foi feito depois do depoimento do porteiro do condomínio onde Bolsonaro mora no Rio, envolvendo indiretamente o presidente na história.