Brasil

Burger King ironiza censura a propaganda do BB e vira alvo de boicote

Rede informou que está recrutando pessoas que tenham 'participado de um comercial de banco que tenha sido vetado e censurado'

Camilla Muniz, da Agência O Globo

Conhecido por propagandas que promovem a diversidade, o Burger King ironizou o recente veto à publicidade do Banco do Brasil em post nas redes sociais. Em texto publicado na sexta-feira, a rede de fast food informou que está recrutando pessoas que tenham "participado de um comercial de banco que tenha sido vetado e censurado nas últimas semanas". Após a publicação, a rede de restaurantes virou alvo de campanha de boicote no Twitter por apoiadores do governo.


No fim de abril, o Palácio do Planalto determinou que o Banco do Brasil retirasse de circulação uma campanha publicitária do BB , cujo mote era a diversidade, por ter desagradado o presidente Jair Bolsonaro. O caso foi revelado pelo colunista do jornal 'O Globo' Lauro Jardim.

O comercial era estrelado por atores e atrizes negros, outros tatuados, além de homens usando anéis e cabelos compridos. Os personagens escolhidos irritaram Bolsonaro, que teve acesso ao conteúdo da peça publicitária quando ele já estava sendo veiculado há aproximadamente duas semanas. O diretor de Comunicação e Marketing do Banco do Brasil, Delano de Andrade, foi demitido.

O comunicado do Burger King não cita nominalmente o BB, mas afirma: "Procura-se elenco para comercial. O Burger King está recrutando pessoas para seu novo comercial. Para participar, basta se encaixar nos seguintes requisitos: ter participado de um comercial de banco que tenha sido vetado e censurado nas últimas semanas. Pode ser homem, mulher, negro, branco, gay, hétero, trans, jovem, idoso. Curtir fazer selfie é opcional. No Burger King, todo mundo é bem-vindo. Sempre. Entre em contato pelo e-mail: recutrafilme@burgerking.com.br".

Críticas ao 'post' do Burger King

Na tarde deste sábado, a hashtag #BoicoteBurgerKing figura entre os assuntos mais comentados no Brasil e no mundo no Twitter. As críticas de apoiadores a Bolsonaro aumentaram quando o presidente reagiu pessoalmente à iniciativa da rede de fast food.

"Qualquer empresa privada tem liberdade para promover valores e ideologias que bem entendem. O público decide o que faz. O que não pode ser permitido é o uso do dinheiro dos trabalhadores para isso. Não é censura, é respeito com a população brasileira", afirmou Bolsonaro em post no Facebook.

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O Burger King é conhecido por campanhas a favor da diversidade e contra a discriminação. Além disso, veiculou um comercial sobre conscientização política e importância do voto durante o período eleitoral de 2018.

Na internet, as opiniões sobre a iniciativa do Burger King se dividem. Muitos elogiaram a empresa, mas os críticos interpretaram o posicionamento como um ataque a Bolsonaro. Ao vetar a propaganda do Banco do Brasil em que apareciam negros, uma transexual e pessoas com tatuagens e cabelos coloridos, o presidente alegou que a população brasileira "quer respeito à família".

Aqueles que estão propondo o boicote ao Burger King argumentam que a marca é "esquerdista", quer "lacrar" e despreza 57 milhões de potenciais consumidores — em alusão ao número de eleitores que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno.