Brasil

Carro apreendido com suspeito do assassinato de Marielle tem 93 multas por velocidade

As infrações foram por estacionamento irregular, excesso de velocidade, avanço de sinal e dirigir com o celular

Agência O Globo

O carro apreendido com o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, preso na madrugada desta terça-feira por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, tem 124 multas registradas desde agosto de 2013. A maioria das infrações é por excesso de velocidade. O veículo, um Infiniti FX35 V6 AWD, custa em média R$ 120 mil. O modelo de Lessa é blindado.

De acordo com o sistema da Secretaria municipal de Transportes (SMT) da prefeitura do Rio, as infrações foram por estacionamento irregular, excesso de velocidade, avanço de sinal e dirigir com o celular. A maioria das multas registradas na prefeitura, no entanto, foi por excesso de velocidade: foram 93 infrações.

A Infiniti é uma marca nipo-americana de automóveis de luxo da Nissan que tem modelos comercializados nos Estados Unidos, no México, no Canadá, em países do Oriente Médio, na Coreia do Sul e em Taiwan. Em 2007 a marca chegou à Europa continental, à Rússia e à Ucrânia. Em 2012, a Nissan chegou a anunciar planos de trazer a Infiniti ao Brasil, mas a iniciativa não avançou.

Além de Ronnie Lessa, a Delegacia de Homicídios (DH) da Capital e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) prenderam o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz por envolvimento no crime. Os dois tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz substituto do 4º Tribunal do Júri Guilherme Schilling Pollo Duarte, após denúncia da promotoria. Segundo a denúncia do MP do Rio, Lessa teria atirado nas vítimas, e Elcio era quem dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. Elcio de Queiroz foi expulso da corporação.


Segundo a denúncia das promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile, o crime foi "meticulosamente" planejado três meses antes do atentado. Além das prisões, a operação realiza mandados de busca e apreensão nos endereços dos denunciados para apreender documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munições e outros objetos. Lessa e Elcio foram denunciados pelo assassinato e a tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, assessora da vereadora que sobreviveu ao ataque. A ação foi batizada de Operação Buraco do Lume, em referência ao local no Centro de mesmo nome, na Rua São José, onde Marielle prestava contas à população sobre medidas tomadas em seu mandato. Ali ela desenvolvia também o projeto Lume Feminista. Os denunciados foram presos às 4h desta madrugada.