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Caso Flordelis: delegada afirma que até agora ninguém que foi ouvido falou sobre traição

Um dos filhos do casal afirmou à polícia nesta quinta-feira (20) que a mãe e mais três irmãs estariam envolvidas no crime

Diego Amorim e Gisele Ouchana, da Agência O Globo

A delegada Bárbara Lomba, titular da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), deu uma entrevista coletiva no começo da tarde desta sexta-feira (21). Ela informou que pretende conduzir com cautela as investigações sobre a morte do pastor evangélico Anderson do Carmo, marido da deputada federal Flordelis (PSD). Ele foi morto a tiros na garagem de casa no último domingo.

Foto: Reprodução
- Ninguém que foi ouvido até o momento disse especificamente que houve uma traição - afirmou ela sobre o caso.

Uma das principais suspeitas é que o pastor tenha sido morto pelos filhos por manter uma relação amorosa extraconjugal. Na última terça-feira, Lucas dos Santos confessou à Polícia Civil que foi um dos executores de Carmo. O jovem era um dos filhos adotivos do pastor e de Flordelis. Ele informou a policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo que um dos mandantes do crime era Flávio Rodrigues de Souza, filho biológico do casal. Nesta quinta-feira, os dois tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça.
Foro privilegiado

Como deputada federal, Flordelis possui foro por prerrogativa de função. No entanto, após restrições aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado, ela pode ser investigada nesse caso, por ser fato não relacionado ao mandato. Especialista em Direito Público e professor da UFRJ, João Pedro Accioly Teixeira ressalta as restrições definidas pelo STF.

— Agora, o foro privilegiado só vale para fatos relacionados ao exercício do mandato e durante o tempo de função. Não vale para fatos pretéritos, nem quando o parlamentar perde o mandato — resumiu. — (Em caso de investigação) A defesa (da deputada) poderia até recorrer para tentar construir alguma tese, mas é muito difícil de ela conseguir deslocar essa questão para o Supremo.

Professor da PUC-RJ e especialista em Direito Criminal, Breno Melaragno observa que a investigação deverá ocorrer naturalmente, independente da condição de parlamentar.

— Neste caso, é um fato que não tem relação com o mandato. Encontrando indícios veementes contra ela, a polícia pode até pedir a prisão temporária. Mas a prisão temporária se dá por necessidade de investigação, não por antecipação de culpa.


Celulares desaparecidos
A Polícia Civil segue em busca dos aparelhos celulares de Anderson e de Flávio, que já foram requisitados, mas estão desaparecidos. Flordelis afirma não saber onde está o telefone do marido assassinado. Na última terça-feira, pouco antes da vistoria de homens da Especializada de Niterói e São Gonçalo, objetos foram queimados no quintal da casa da família. A polícia recuperou o que havia sido incinerado para perícia, mas, o que realmente chamou atenção dos investigadores, foi a presença de um edredom com manchas de sangue num dos quartos. Na segunda-feira, no armário de Flávio dos Santos, homens da DH encontraram uma arma que teria sido utilizada no crime.

A deputada federal Flordelis (PSD) e seu marido, o pastor evangélico Anderson do Carmo de Souza tinham acabado de voltar de carro de uma confraternização para casa da família em São Gonçalo no último dia 15 quando o crime aconteceu. Na altura da filial da lanchonete McDonald's no bairro de São Francisco, a parlamentar percebeu que o casal está sendo seguido por duas motocicletas.

Ao chegarem em casa, Carmo estacionou, mas logo depois voltou ao carro para buscar algo que havia esquecido. Em seguida, a família ouviu os disparos. Ao todo, foram 15 tiros, a maioria na região pélvica. Carmo foi levado para o Hospital Nit D'Or, no bairro Santa Rosa, mas não resistiu.