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Caso Marielle: presos poderão fazer delação premiada para apontar mandante

Informação foi dada pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, nesta terça-feira (12)

Lucas Altino, da agência O Globo

O governador Wilson Witzel afirmou, em entrevista nesta terça-feira (12) no Palácio Guanabara, que os dois presos na manhã desta segunda-feira pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes poderão realizar delação premiada para revelar quem foi o mandante do crime. Segundo Witzel, houve uma inspiração na Operação Lava-Jato relacionada à forma como vê a condução da investigação do caso.cogitaram essa possibilidade.

Foto: Reprodução
— Uma segunda fase da investigação poderá vir a ocorrer. Primeiro, falei para (a polícia) encerrar com o que tem. A Lava-Jato nos ensinou que investigação deve ser fragmentada. Quem foi preso hoje pode certamente pensar numa delação premiada.

Inicialmente, Witzel classificou o assassinato de Marielle como um "crime bárbaro" e pontuou como agravante o fato de ter acontecido enquanto ela exercia o mandato para o qual foi eleita em 2016.

— Essa é uma resposta importante que estamos dando à sociedade. A elucidação de um crime bárbaro, cometido contra uma parlamentar, uma mulher, no desempenho de sua atividade democrática, teve sua vida ceifada de forma criminosa, hodienda e inaceitável. Inaceitável a qualquer ser humano, mas muito mais ainda porque Marielle Franco estava no exercício da atividade parlamentar — disse Witzel, acrescentando que, desde eleito, se comprometeu a conhecer as investigações do caso.

Na próxima quinta-feira, os crimes completarão um ano. Nesta manhã, foram presos o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, de 46 anos. Lessa é acusado de ter atirado na parlamentar, e Elcio, de ter dirigido o carro utilizado na ocasião.
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O vice-governador Cláudio Castro, o secretário de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, o diretor do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), Antônio Ricardo Nunes, e o titular da Delegacia de Homicídios, Giniton Lages, também participam da coletiva de imprensa sobre o caso.

Segundo Giniton, o inquérito do caso Marielle reuniu 29 volumes, que somaram 5.700 páginas, sendo que 16 volumes continham conteúdo sigiloso. Há um banco de imagens com 760 gigas de imagens.


Ao longo da investigação, foram ouvidas 230 pessoas, número que se justificou pela diversidade das linhas de investigações. As ações envolveram o trabalho de 47 policiais. Foram realizados vários tipos de perícias: necroscópica, de local de crime, de componentes de munições, de reprodução simulada dos fatos, de informática e de confrontação balística e decadatilar.

Nas tentativas de chegar aos executores e aos mandantes, a polícia analisou os dados cadastrais de 33.329 linhas telefônicas. Desse total, 318 foram interceptadas. Foram ainda 670/533 gigabytes de dados telemáticos analisados.