Brasil

Cliente negro é chamado de ‘macaco’ no pedido de rede de fast-food

Caso foi em São Paulo no final de semana. Polícia investiga

Redação do Correio 24 Horas

Um cliente negro foi chamado de "macaco" em um pedido feito em uma rede de fast food em São Paulo, no sábado. O nome foi impresso na nota do pedido, registrado na Burger King que fica em Moema, área nobre da cidade. O universitário David Reginaldo de Paula Silva, 24 anos, registrou boletim de ocorrência por injúria racial depois do episódio. Ele busca punição criminal contra o funcionário que escreveu o nome do animal no cupom. Além disso, o universitário também pretende acionar civilmente a Burger King.

O Burger King divulgou nota afirmando que repudia discriminação e disse que está apurando o caso para tomar as providêncais cabíveis. “Meu aniversário foi dia 19. Saí na sexta para comemorar, e na volta fui com uma amiga diplomata à lanchonete para comer algo. Vi no balcão um cupom de desconto. Fiz um pedido normal. O atendente perguntou meu CPF, nome e anotou. E esperei chamar minha senha. Foi quando vi ao lado da senha o nome ‘macaco’ e fiquei assustado”, contou ele ao G1.


Os três atendentes estavam rindo quando ele foi pegar o lanche, ele relatou. Mesmo assim, Diego pegou o hambúrguer, a batata e o refrigerante para fazer o lanche. Ele recebeu o troco e o cupom que constava a frase ofensiva - "cliente macaco". “Aí liguei para meu pai e ele falou para guardar papel. Não fiz escândalo, não questionei o atendente e também não peguei sua identificação. Cheguei a comer dois pedaços e perdi o apetite. Depois fui para casa”, explica.

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) registrou a queixa como injúria racial porque usou a raça para tentar ofender a dignidade uma pessoa. O crime só é configurado como racismo quando a ofensa discriminatória é contra um grupo ou coletividade.

Em nota, o Burger King informou que está investigando a situação. “O Burger King informa que tomou conhecimento do caso relatado na unidade localizada na loja da Avenida Santo Amaro, em São Paulo, e está apurando o ocorrido para que as medidas necessárias sejam tomadas. A companhia reitera que repudia todo e qualquer ato discriminatório", diz o comunicado da empresa.