Brasil

Controladora de voo da Chapecoense diz que agiu corretamente

Ao 'Fantástico', Yaneth Molina dá a entender que piloto não indicou situação de emergência

Agência O Globo
- Atualizada em

Última pessoa a fazer contato com o avião da chapecoense antes da queda que matou 71 pessoas no último dia 29 de novembro, na região de Antióquia, na Colômbia, a controladora de voo Yaneth Molina falou, neste domingo, pela primeira vez sobre a tragédia.

Em entrevista por telefone ao “Fantástico”, da Rede Globo, a colombiana, que tem 22 anos de carreira, contou que nunca tinha enfrentado uma situação de emergência como aquela:

"Enfrentei situações em que o piloto pede prioridade, o que é diferente. A prioridade supõe que exista um tempo, uma folga para gerenciar as circunstâncias. Em alguns casos, essa prioridade pode se converter em emergência, mas para que isso aconteça, a palavra mundialmente usada é “mayday”."

Yaneth não quis confirmar se o piloto da Lamia, Miguel Quiroga, chegou a dizer essas palavras. Segundo ela, “isso quem vai determinar é a investigação”. As autoridades colombianas anunciaram que divulgarão um um relatório preliminar sobre o caso ainda esta semana.

A controladora disse ainda que recebeu mensagens agressivas pelas redes sociais, por isso, decidiu divulgar uma carta para dizer que fez tudo o que era “tecnicamente obrigatório e humanamente possível”: "Segui todos os procedimentos estabelecidos. Tive total serenidade e tranquilidade para prestar um bom serviço e buscar que todas as aeronaves aterrissassem com sucesso. Lamentavelmente, com o avião da Lamia, não foi o que aconteceu".

Formada em jornalismo, Yaneth, de 46 anos, é casada e tem dois filhos. O marido também é controlador de voo, assim como um irmão. Um dos filhos é piloto.

Apesar do ocorrido, ela garante que seguirá na profissão. "Adoro esse trabalho. É minha paixão", afirmou, antes de mandar uma mensagem para os chapecoenses. "Sou solidária nessa situação tão dolorosa. Agradeço pelo apoio que recebi e espero algum dia visitar Chapecó, acompanhar as famílias, participar de alguma cerimônia religiosa. E que todos estejam seguros de que, pelo controle, tudo foi bem feito."

Neto se recupera bem
Já em Chapecó, os sobreviventes da tragédia continuam se recuperando bem e rápido. Último dos seis sobreviventes a ser retirado dos destroços do avião em Medellín, o zagueiro Neto, que já esteve em estado muito grave, melhorou sensivelmente. A ponto de, ontem, o médico Marcos Sonagli, que o acompanha, revelar que o jogador deverá estar apto a voltar a treinar entre 90 e 120 dias.

"Sábado, o Neto deu os primeiros passos. Isso é muito importante porque ele tem uma fratura na quinta vértebra lombar, que inicialmente não precisa de cirurgia", disse o médico. "Ele tem falado que quer voltar a jogar. Acredito que já possa estar treinando em três ou quatro meses. O Neto é guerreiro, sempre surpreende a gente."

Nesta segunda, o jornalista Rafael Henzel deve receber alta. O lateral Alan Ruschel foi o primeiro a deixar o hospital, na sexta-feira. Já o goleiro Jackson Follmann, que teve parte da perna direita amputada, ainda passará por uma cirurgia no tornozelo esquerdo.