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Coronavírus: curva de crescimento da doença no Brasil repete a de países europeus

Nesta quinta-feira (19), o governo da Itália divulgou que o país chegou a 41.035 casos confirmados desde o início do surto

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
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Diante do cenário do novo Coronavírus no Brasil, a agilidade de propagação da doença remete aos índices dos países que mais sofrem com o avanço da doença no mundo. De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o aumento de casos confirmados repete um ritmo parecido como a Alemanha, França e Reino Unido.

"Na Itália, estamos assistindo a um filme idêntico ao que vimos na China, e a batalha será a mesma em todos os outros países do mundo, mas com dias ou semanas de atraso", disse Nino Cartabellotta, médico e presidente da Fundação Gimbe, organização não governamental que promove a difusão de informações científicas confiáveis para a realização de políticas públicas.

Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, recebe projeção em homenagem a vítimas da covid-19 | WAGNER MEIER/GETTY IMAGES

"O Brasil tem a chance de jogar sabendo o resultado da outra partida, porque já viu o filme italiano. Comparar a curva de diferentes países não é um problema, muito pelo contrário", relatou Cartabellotta.

Conforme Lorenzo Pregliasco, sócio-fundador da empresa de pesquisas Quorum, o Brasil "está alinhado com a maior parte dos países observados", apesar de seguir "um pouco atrás" na curva de crescimento: "Particularmente, me parece que o ritmo de contágio possa seguir a trajetória da França."

Para ajudar na comparação entre o Brasil e os outros países, os gráficos mostram o número de casos reportados pelos sistemas de saúde de cada governo depois que estes países ultrapassaram a barreira de 50 testes positivos.

Com essa metodologia, é possível entender as comparações de estatísticos que dizem que um país está alguns dias ou semanas atrás de outro "na curva de crescimento" do novo coronavírus.

Para manter a comparação com dados de uma fonte única, foram utilizados os boletins oficiais diários da OMS. Os dados mais recentes da organização correspondem às informações enviadas pelas autoridades nacionais até as 20h (de Brasília) desta quarta-feira (18) o Brasil ainda não registrava nenhuma morte, e a Itália não havia ultrapassado o número de vítimas da China.

Nesta quinta-feira (19), o governo da Itália divulgou que o país chegou a 41.035 casos confirmados desde o início do surto. Para Cartabellotta, porém, o número não é realista e representa "só a ponta do iceberg": "Assumindo que a gravidade da doença na Itália é semelhante à chinesa, pode-se prever que a parte submersa do iceberg tenha mais de 70 mil casos leves ou sem sintomas identificados".

Na Itália, os exames são feitos, na maior parte das vezes, em pacientes com sintomas. Foram feitos 182.777 testes até agora em média, um a cada 330 moradores do país.