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'Decisão do STF contra homofobia pode afetar empregos de homossexuais', diz Bolsonaro

Presidente diz que a decisão é 'equivocada' e defendeu mais 'equilíbrio' na Suprema Corte do país

Jussara Soares e Gustavo Maia, da Agência O Globo
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O presidente Jair Bolsonaro criticou, nesta sexta-feira (14), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de criminalizar a homofobia.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Segundo ele, equiparar as práticas de homofobia e transfobia ao crime de racismo é um "completo equívoco". Bolsonaro afirmou ainda que a medida pode atrapalhar até mesmo que homossexuais consigam vagas de trabalho.

"Prejudica o próprio homossexual essa decisão" disse o presidente, que acredita que um empregador vai "pensar duas vezes" ao contratar um homossexual para evitar problemas, porque pode ser acusado de homofobia.

Falando a jornalistas durante um café da manhã, Bolsonaro citou uma situação hipotética em que um hóspede gay tentar alugar um quarto em um hotel que está lotado e depois descobre que havia uma vaga: "Aí, o dono vai preso".

Bolsonaro disse que, com a decisão, "o STF  entrou na seara do Legislativo" — há um projeto de lei sobre o tema aprovado preliminarmente pela Comissão de Comissão e Justiça (CCJ) do Senado, mas que ainda precisa ser votado novamente no colegiado, e depois na Câmara.

Na quinta-feira (13), por oito votos a três, os ministros do Supremo equipararam as práticas de homofobia e transfobia ao crime de racismo. Enquanto o Congresso não aprovar um projeto sobre o assunto, deverá ser aplicada a lei do racismo, cujo crime será inafiançável e imprescritível. A pena é de um a três anos de prisão.

Ao abordar o tema, o presidente voltou a defender a presença de um ministro evangélico na mais alta Corte do país. No final de maio, durante uma viagem a Goiânia (GO), ele já havia falando sobre esta possibilidade.

"Acho equivocado o que o Supremo fez ontem, tem que ter equilíbrio lá dentro. Não é misturar política com Justiça e religião", disse Bolsonaro.