Brasil

Dois bebês passam por transplantes de coração no mesmo hospital e equipe médica comemora

"Gratidão imensa por terem salvado a vida do meu pequeno" comentou uma das mães em postagem no Facebook

Agência, O Globo

Dois bebês, ambos com 10 meses, passaram por transplantes de coração na última quarta-feira, marcando algo inédito no Hospital da Criança e Maternidade (HCM), em São José do Rio Preto (SP).

Segundo a unidade de saúde, as cirurgias ocorreram ao longo de 42 horas ininterruptas de trabalho. Os pacientes sofriam com cardiopatias congênitas e baixa expectativa de vida.

Um dos bebês é uma menina nascida em São Carlos que apresentou problema cardíaco no sétimo mês de vida. Após exames e encaminhamento, ela foi internada há três meses. Sua mãe, Karina Silva, recebeu a notícia de um novo coração para a filha, na terça-feira.

Quando a pequena recebeu alta para a UTI, após o transplante, a equipe do Serviço de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular Pediátrica (Secccap) recebeu a informação da disponibilidade de um outro coração. Desta vez, o órgão era compatível com um menino natural de Ji-Paraná (RO), que nasceu com um problema cardíaco e que também estava internado fazia três meses.

Os pais dele já tinham ficado felizes pela conquista da outra criança. As famílias dos bebês vinham dividindo relatos sobre a expectativa de chegar um coração.

"É um milagre. Até brincamos com a Karina quando soubemos do coração da filha dela, dizendo ‘já pensou um transplante no dia seguinte do outro?’. E não é que veio! Não há felicidade maior! Fica a lição de que mesmo na tristeza, pode-se fazer outras pessoas felizes por meio da doação”, contou Demilso Silva, pai do segundo bebê transplantado.

O médico Ulisses Croti, chefe do Seccap, frisou a importância da solidariedade para continuidade de muitas vidas. São 20 mil crianças por ano que nascem com algum problema cardíaco anualmente no Brasil. Destas, nem metade recebem tratamento ou cirurgia adequada, por falta de vaga e equipes qualificadas.

"Por isso, queremos ampliar nossos trabalhos, para conseguir atender ao máximo de crianças, de maneira plena. E, para isto, também temos de ressaltar a importância da doação de órgãos. A vida depende disto”, reforçou o cirurgião cardiovascular pediátrico.