Brasil

Eduardo Bolsonaro comemora impeachment e exalta militar que torturou Dilma

"Perderam em 1964. “Perderam em 2016”, escreveu, no Facebook

Agência O Globo
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), filho do também deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), decidiu comemorar o impeachment de Dilma Rousseff (PT) em suas redes sociais exaltando o golpe de 1964 e exaltando o torturador da ex-presidente, Carlos Brilhante Ustra. Perderam em 1964. “Perderam em 2016”, escreveu, no Facebook.
No texto, Bolsonaro mencionou militares como o general Castelo Branco e exaltou o que descreveu como “coragem” dos coroneis Ustra, ex-chefe do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), órgão de repressão da ditadura, e Lício. “Evitaram que hoje todos nós estivéssemos cortando cana como em Cuba. Perderam em 64. Perderam em 2016. Viva as Forças Armadas! Vivam os Brasileiros!”.
Em abril, durante votação do impeachment na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro (PSC-RJ) já havia homenageado o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos militares mais temidos da Ditadura. O militar foi apontado por dezenas de perseguidos políticos e familiares de vítimas do regime militar como responsável por perseguições, tortura e morte de opositores do Golpe de 64.
Ustra era chamado nos porões da ditadura de “Dr. Tibiriçá”, sendo o único militar brasileiro declarado torturador pela Justiça. O Dossiê Ditadura, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, relaciona o coronel com 60 casos de mortes e desaparecimentos em São Paulo. A Arquidiocese de São Paulo, por meio do projeto Brasil Nunca Mais, denunciou mais de 500 casos de tortura cometidos dentro das dependências do Doi-Codi no período em que Ustra era o comandante, de 1970 a 1974.