Brasil

Em depoimento, João de Deus relata que recebeu ameaças antes de denúncias viram à tona

Médium se entregou à polícia neste domingo (16)

Redação iBahia com agências (redacao@portaliabahia.com.br)

Em depoimento à polícia neste domingo (16), o médium João de Deus relatou que foi ameaçado por um homem, através de ligações telefônicas, antes das denúncias vierem à tona. Ele também negou ter movimentado R$ 35 milhões de sua conta bancária nos últimos dias. As informações são da TV Anhaguera.

“Eu tenho 50 pessoas para acabar com você. Se você colocar 100, eu coloco 200 e, se você aumentar isso, eu coloco 1 mil. Eu vou acabar com você”. De acordo com João de Deus, essas foram as palavras do homem que o ameaçou.

O líder espiritual teve prisão decretada através do pedido da  Polícia Civil  pelo Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO) e se entregou as autoridades em uma estrada de terra em Abadiânia neste domingo (16). João de Deus está preso no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital.

Em depoimento, ele contou detalhes de sua caminhada como médium, além de falar de seus bens e da sua forma de rendimento. De acordo com o jornal 'O Globo', João de Deus teria sacado R$ 35 milhões de contas e aplicações financeiras desde que as primeiras denúncias vieram à tona. O líder espiritual negou essas acusações

A defesa de João de Deus entrou, nesta segunda-feira (17), com o pedido de Habeas Corpus.  O advogado Alberto Toron afirmou que devem ser considerados a idade elevada e o estado de saúde dele. Lembrou que João de Deus passou por um tratamento de combate ao câncer e é cardíaco.

Atendimentos individuais
Sobre os atendimentos individuais alegados em todas as 300 denúncias, o médium afirmou que, na maioria das vezes atende coletivamente, mas em alguns casos há consultas individuais.

“São as pessoas que o procuram em busca de atendimento individualizado e não há critério que utiliza para levar alguém para um atendimento individualizado, uma vez que são os frequentadores quem solicitam tal atendimento e não ele”, disse em depoimento.

Ele disse que esse procedimento é realizado em uma sala com porta transparente da Casa Dom Inácio de Loyola. O médium afirmou ainda que “nunca trancou a porta para atendimentos e, muitas vezes, é o atendido quem a tranca”.

Perguntado sobre o depoimento das vítimas, ela afirmou que se recorda de um atendimento realizado a uma delas em outubro deste ano. Disse que ela estava acompanhada do namorado


"Ele sempre demonstrava ser uma pessoa pacata, tranquila em todas as suas respostas. Ele demonstrou uma reação de comportamento e alteração de voz e declinou que essa vítima seria uma pessoa que não merecia credibilidade, que tinha outros problemas e vinha ajudando ela há muito tempo", declarou a delegada Karla Fernandes, que integra a investigação do caso e que o ouviu.

Mesmo com o líder espiritual negando todas as acusações, o delegado-geral da Polícia Civil, André Fernandes, diz que os depoimentos das vítimas são muito contundentes e que o médium deve ser ouvido novamente.

O interrogatório não consegue superar as denúncias, as oitivas das mulheres que narraram de forma tão segura e detalhada o que viveram. Somado com outras provas que a polícia terá até o fim das investigações, o Poder Judiciário terá vastas informações", afirmou o delegado