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Entenda o que é o Hamas, movimento criticado por Flávio Bolsonaro

"Quero que vocês se EXPLODAM!!!”, postou Flávio Bolsonaro, com a imagem do título de uma reportagem sobre o grupo

Redação iBahia e Agência O Globo

A visita do presidente Jair Bolsonaro a Israel, que já voltou ao Brasil, ainda gera polêmica. Na segunda-feira (1º), o Hamas, movimento de resistência islamtita, divulgou uma nota de repúdio à visita do presidente da República, a pós a passagem pelo  Muro das Lamentações e da decisão de criar um escritório comercial do Brasil em Jerusalém. 

Publicação de Flávio Bolsonaro foi deletada do Twitter
Foto: Reprodução

"O movimento Hamas condena veementemente a visita do presidente brasileiro Jair Bolsonaro à ocupação israelense como um movimento que não apenas contradiz a atitude histórica do povo brasileiro, que apoia a luta pela liberdade do povo palestino contra a ocupação, mas também viola as leis e normas internacionais", diz trecho da nota.

"O Hamas conclama o Brasil a reverter imediatamente essa política que é contra o direito internacional e as posições de apoio do povo brasileiro e dos povos da América Latina", diz ainda a nota. 

Após o posicionamento da organização palestina, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, publicou em sua conta no Twitter na terça-feira (6), o que foi considerado uma espécie de "resposta" à nota de repúdio do Hamas. "Quero que vocês se EXPLODAM!!!”, postou Flávio Bolsonaro, com a imagem do título de uma reportagem da revista Exame, com o posicionamento do movimento.

 Horas depois ter publicado, o senador deletou a publicação e o Twitter informa que o conteúdo não está mais disponível para acesso. O posicionamento do senador tem gerado memes e discussões nas redes sociais, tamanha relevância do grupo palestino, considerado como organização terrorista pela União Europeia, Israel e Estados Unidos, entre outros.

 Entenda um pouco mais sobre a história do movimento. 

O Hamas, em árabe "Movimento de Resistência Islâmica", é uma organização palestina, de orientação sunita, que inclui uma entidade filantrópica, um partido político e um braço armado, as Brigadas Izz ad-Din al-Qassam. É o considerado mais importante movimento fundamentalista islâmico da Palestina. O grupo é considerado como organização terrorista pela União Europeia, Israel e Estados Unidos, entre outros. Já Austrália e o Reino Unido consideram como organização terrorista somente o braço militar da organização.

Refugiados sírios esperam na fronteira síria-turca perto de Sanliurfa, Turquia
Foto: Reprodução/EBC

1) Primeira Intifada

O grupo foi criado em 1987, no início da Primeira Intifada, pelos xeques Ahmed Yassin, Abdel Aziz al-Rantissi e Mohammad Taha da ala palestina da Irmandade Muçulmana do Egito. O braço político e beneficente da Irmandade Muçulmana é então reconhecido oficialmente por Israel. O grupo se concentrava na ajuda social e em projetos religiosos, com uma intensa ação social e comunitária

2) Relação com Israel

Com o passar do tempo, o Hamas passa a se definir como um movimento de resistência palestino, cujos princípios se baseiam no Corão. Seu programa político tem como ponto fundamental a instauração de um Estado palestino abrangendo toda a Palestina histórica e não reconhece o Estado de Israel - a quem se refere como "entidade sionista". Em fevereiro de 2006, o grupo, através de Khalid Meshal, propôs um cessar-fogo de 10 a 15 anos, desde que Israel devolvesse os territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967. A tensão atual se elevou por causa do assassinato de três adolescentes judeus na Cisjordânia, região sob ocupação de Israel, o qual o país atribuiu ao Grupo Hamas, e de um garoto palestino de 16 anos em Jerusalém Oriental.

3) Assassinato do Líder

Em 1989, o movimento sofreu um duro golpe quando Ahmed Yassin foi feito prisioneiro pelo governo israelense. Posteriormente solto em uma troca de prisioneiros, Yassin acabaria sendo morto durante um assassinato seletivo pela Força Aérea Israelense, em 2004.


Militantes palestinos do Hamas carregam o corpo de um dos homens mortos em ataque aéreo israelense
Foto: Reprodução/EBC

4) Hamas e o Fatah

Em janeiro de 2006 o Hamas venceu as eleições parlamentares na Palestina, ganhando 76 dos 132 assentos no Parlamento, enquanto o Fatah conseguiu 43. Após a vitória eleitoral, começaram os conflitos entre os dois: 12 palestinos morreram e mais de 100 ficaram feridos. Depois da Batalha de Gaza, em junho de 2007, o Hamas perdeu suas posições na Autoridade Palestina na Cisjordânia, sendo substituído por integrantes do Fatah e independentes. O Hamas, por sua vez, expulsou o Fatah e manteve o controle de Gaza. Desde a vitória eleitoral do Hamas, acirrou-se o conflito.

5) Controle de Gaza

Depois da Batalha de Gaza, em junho de 2007, o Hamas perdeu suas posições na Autoridade Palestina na Cisjordânia, sendo substituído por integrantes do Fatah e independentes. O Hamas, por sua vez, expulsou o Fatah e manteve o controle da Faixa de Gaza.

6) Lutas Armadas

As primeiras ações armadas do Hamas ocorrem com o início da Primeira Intifada. Inicialmente atacam rivais palestinos e depois, os militares israelenses. Posteriormente suas ações passaram a ter como alvo tanto os militares como os civis. Entre abril de 1993 e 2005, o grupo promoveu atentados suicidas que visavam essencialmente a população civil. Em 2006, o Hamas renunciou publicamente o reconhecimento aos ataques suicidas. Desde então, passou a realizar ataques com foguetes Qassam contra as cidades israelenses próximas à fronteira, principalmente Sderot.