Brasil

'Falta a resposta dos EUA', diz Bolsonaro sobre indicação do filho para embaixada

Presidente afirma ter certeza de que Eduardo será aprovado no Senado: 'Eu entro em campo para ganhar o jogo, sempre'

Agência O Globo

A indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) para assumir a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos parece estar cada vez mais próxima de se concretizar. Seu pai, o presidente Jair Bolsonaro , disse nesta sexta-feira que "já está tudo certo" e que agora falta a resposta dos americanos, que ele disse achar "muito difícil" ser negativa. A partir daí, o governo encaminhará a indicação do Senado , onde Bolsonaro disse ter certeza que o filho será aprovado após passar por uma sabatina.

Foto: Reprodução

O presidente, no entanto, não soube explicar com segurança se o Ministério das Relações Exteriores já enviou um pedido de agrément — consentimento de um Estado para que um diplomata estrangeiro seja nomeado para função em seu território — aos Estados Unidos .

"Falta a resposta dos Estados Unidos. Uma vez havendo a resposta... o [chanceler] Ernesto Araújo está fora do Brasil... a gente comunica o Senado Federal para que seja marcada a data da sua sabatina", declarou. "Já deve ter mandado ali... Isso é uma praxe, tá num acordo, uma legislação de Viena. Nesse sentido temos que fazer isso daí. Duvido, acho muito difícil, ter uma negativa por parte dos Estados Unidos. E ele vai ser nosso cartão de visita lá. Sabe da tremenda responsabilidade terá pela frente."

Segundo Bolsonaro, o filho "vai ser vitrine" se ocupar o posto diplomático e "está indo para trabalhar nos EUA", além de já ter um relacionamento com vários países, o que não é exigido para a função.

"Tu acha (sic) que eu ia botar uma pessoa que não tivesse competência para exercer uma nobre missão como essa?", questionou o presidente, voltando a fazer críticas a ex-chefes de missões diplomáticas em Washington. "Você pode ver os últimos embaixadores do PT nos Estados Unidos... Me aponte uma ação deles favorável ao Brasil."

No último dia 17, o presidente dissera durante viagem à Argentina que desde 2003, os embaixadores em Washington "não fizeram nada de bom" .

Bolsonaro afirmou ainda que o Brasil não pode ter "embaixador escolhido pelo critério ideológico" para postos-chave, depois de reclamar que um chefe do posto brasileiro em Israel no governo Dilma Rousseff (PT) foi para a Palestina durante uma visita sua ao país anos atrás, para não conversar com ele.


Negociação no Senado
O presidente disse que tem conversado com  o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) diariamente e que confia na aprovação do filho.

"Eu entro em campo para ganhar o jogo, sempre. Eu acho que o Senado vai fazer uma boa sabatina e tenho certeza de que será aprovado. Agora, talvez haja um viés político por parte de alguns. Paciência. Eu espero que ele seja aprovado."

E completou que pode nomear o filho como ministro de Relações Exteriores:

"Agora uma coisa: eu posso hoje exonerar o Ernesto Araújo e botar meu filho ministro das Relações Exteriores. Posso ou não posso? Ele vai ter sob sua ascendência, entre representações e embaixadas, mais de 200 no Brasil."

Ao ser questionado se tem de fato o plano, o presidente não foi categórico.

"Eu falei que eu posso, não falei que eu vou fazer. É questão de tempo verbal. E não quero fazer isso daí, te respondendo já, porque o Ernesto está fazendo um trabalho excepcional lá. Agora, quando está na frente do MRE [Ministério das Relações Exteriores], o motorista do Marighella, como o senhor Aloysio Nunes Ferreira, ninguém fala nada. Ah, tenham paciência, poxa. Vocês acham que eu sou uma pessoa que não tenho responsabilidade com o meu Brasil?", questionou.