Brasil

Filtros, apps de edição e autoestima: entenda porque 84% das meninas distorcem suas fotos

Cerca de 89% das jovens relatam que compartilham selfies na esperança de serem validadas

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
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Diminuir o nariz, disfarçar as espinhas, afinar a cintura. Os aplicativos de retoque de imagem são cada vez mais utilizados por mulheres e nem as mais jovens escapam disso. Segundo uma pesquisa feita pela Dove, 84% das meninas fazem uso dessas edições aos 13 anos, distorcendo suas aparências na internet. 

O ponto de partida para que esses aplicativos sejam tão utilizados é a pressão das redes sociais, onde todas elas precisam ser perfeitas.  

A pesquisa da Dove foi realizada em dezembro de 2020. Ela mediu o impacto do uso das redes sociais e filtros na autoestima de meninas entre 10 e 17 anos nos Estados Unidos, Inglaterra e no Brasil. No país, a pesquisa foi conduzida pela Edelman Data & Intelligence, com 503 meninas de 10 a 17 anos e 1.010 mulheres de 18 a 55 anos. 

O estudo aponta que cerca de 84% das jovens brasileiras com 13 anos já aplicaram um filtro ou usaram um aplicativo para mudar sua imagem em suas fotos. Além disso, 78% delas tentam mudar ou ocultar pelo menos uma parte ou característica do corpo que não gostam antes de postar a foto nas redes sociais.  

Ao invés de promover entretenimento, o digital intensifica a vontade de atender aos padrões irreais de beleza. Cerca de 89% das jovens relatam que compartilham selfies na esperança de receber validação de outras pessoas.  

Além disso, 35% das jovens brasileiras dizem se sentirem “menos bonitas” ao verem fotos de influenciadores/ celebridades nas redes sociais. Além disso, dados da pesquisa apontam que quanto mais tempo as meninas passam editando suas fotos, mais elas relatam baixa autoestima corporal – 60% das que passam de 10 a 30 minutos editando as imagens dizem ter baixa autoestima. O estudo também retrata que meninas que distorcem suas fotos são mais propensas a ter baixa autoestima corporal (50%) em comparação com aquelas que não distorcem suas fotos (9%). 

Esse cenário preocupante reforça a importância do investimento em iniciativas e ferramentas para ajudar a sociedade a construir uma relação mais positiva com as mídias sociais. “Com o crescimento do uso das redes sociais nos últimos 10 anos, cresceu também o uso de filtros e aplicativos que auxiliam a distorcer imagens para se adequar a padrões de beleza socialmente aceitos. Quando esse uso aumenta também entre os jovens, temos um impacto na pressão para as meninas atingirem algo perfeito, que não pode ser alcançado na vida real, além de se tornar bastante prejudicial para a construção da autoestima”, comenta Fernanda Gama, gerente de Dove no Brasil.  

Dessa forma, além das iniciativas já existentes no Projeto Dove pela Autoestima, a marca apresenta parceria om o UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância, que promove os direitos e o bem-estar de crianças e adolescentes em mais de 190 países. 

O novo projeto como objetivo de engajar e educar jovens sobre autoestima e confiança corporal. Ele tem previsão de ser lançado no segundo semestre no Brasil, visa impactar positivamente a vida de 2 milhões de jovens entre 13 e 18 anos no país.   

“A parceria UNICEF-Dove terá como princípio promover direitos de adolescentes ao uso seguro da internet e à saúde mental, por meio de um processo inovador que ampliará os espaços virtuais para o pensamento crítico, a expressão criativa e a valorização da diversidade. O projeto fornecerá as ferramentas para as juventudes brasileiras na construção de sua autoestima e autoconfiança com o corpo”, diz Gabriela Mora, Oficial do Programa de Desenvolvimento e Participação de Adolescentes.