Brasil

Flordelis descarta traição como motivação do assassinato do marido

Ela também disse que não sabe onde está celular de Anderson

Carolina Heringer, da Agência O Globo

A deputada federal Flordelis dos Santos de Souza afirmou, em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira, que não acredita na hipótese de traição como motivação para o assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, morto a tiros no último dia 16. A pastora falou com a imprensa em uma sala do Le Monde Office, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Flordelis estava acompanhada de um de seus advogados, Fabiano Migueis e de seu assessor, Jackson Vasconcelos.

— É quase impossível que meu marido estivesse me traindo. Eu não acredito nessa hipótese. Nós éramos amigos, parceiros, tínhamos uma cumplicidade muito boa, muito linda. Meu marido ia toda semana comigo para Brasília. Ele não só me deixava na Câmara. Ele ficava no plenário comigo. Meu marido estava sempre presente nas viagens como cantora. Eu não acredito nessa hipótese de traição do meu marido. A mulher desconfia quando é traída. Colocaria a mão no fogo — afirmou Flordelis.

Deputada e o pastor Anderson (Foto: reprodução)
A deputada disse não saber onde está o celular do marido, que ainda não foi encontrado pela polícia:

— Se me perguntarem onde está o celular do meu marido, eu não sei. Ontem, foi o que mais foi perguntado, indagado. Eu não tenho como dizer ao certo quantas pessoas circularam por dentro da minha casa. Não sei. Esse celular pode ser importante para a polícia, mas é muito importante para mim. Porque lá estão todos nossos últimos momentos. Nosso jogo da seleção brasileira, jogo do Flamengo, nossos momentos juntos. Queria aproveitar para fazer um apelo e pedir para quem está com o celular do meu marido, devolva. É muito importante para mim. Quero muito ter esse celular. Ele é muito importante pra mim. Outras coisas que desapareceram, como uma pulseira de ouro, eu nem quero. Alguns objetos sumiram da nossa casa. Um anel, alguns relógios também. Não tenho como afirmar o momento em que sumiu, só sei que sumiu. Entraram muitas pessoas na minha casa.

Ela também negou que o pastor Anderson estivesse sofrendo ameaças.

— Meu marido não estava sofrendo nenhum tipo de ameaça. Se não falasse comigo, falaria com os filhos. Porque ele tinha um cuidado muito grande de me proteger. Não houve isso. Meu marido não falou sobre estar recebendo ameaça. Sobre a motivação ou mandante, não sei. Estou empenhada para saber por que meu marido morreu e por que — disse a deputada.

Flordelis continua afirmando que o marido pode ter sido vítima de um roubo seguido de morte:

— O portão da garagem ficou aberto. Não fechou imediatamente. Estávamos super tranquilos naquela noite. Pedi para ele fechar o portão. Até que provem o contrário, todas as hipóteses são viáveis. Nenhuma hipótese caiu por terra ainda. Estou junto com a polícia para que eles me mostrem o que aconteceu. Se foi roubo seguido de morte ou assassinato. Ninguém até agora pode afirmar o que aconteceu.

A deputada federal contou que ainda não conseguiu ver o filho Flávio, preso após ter confessado participação no crime, segundo a polícia.

— O meu maior desejo hoje seria ver meu filho Flávio, pois ainda não vi. Tenho certeza que eles diriam a verdade pra mim. Meus filhos nunca tiveram o hábito de mentir pra mim. Falar que coloco a mão no fogo, prefiro não responder agora. Mesmo sendo mãe, a gente não está no coração das pessoas, mas não acredito. Mas meu filho estava lá, ele que socorreu, levou para o hospital. Ele ficou no enterro, mesmo com mandado de prisão. Existem muitas coisas que, como mãe, me dizem que não pode ter sido os meus filhos. Não foi esse ensinamento que eu dei para os meus filhos — disse ela.

Nesta segunda-feira, Flordelis compareceu à Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo para prestar depoimento sobre a morte de seu marido, o pastor Anderson do Carmo de Souza. A deputada permaneceu na unidade por cerca de dez horas. Outras 24 pessoas — entre elas filhos da pastora — também foram intimadas e estiveram na delegacia para depor.



— Eu ontem não fui lá (à DH) na posição de investigada. Isso não me foi passado. Estive lá como testemunha do fato e não como investigada. Ocorreu um crime dentro da minha casa. Não sei quem são os responsáveis ainda. Ainda não tivemos essa resposta. Ninguém pode afirmar que foram os meus filhos. É algo que ainda está sendo investigado. Quero que seja solucionado o mais rápido possível é uma dor muito grande. As pessoas que me acompanham sabem o quanto ele era importante na minha vida. Ele articulava tudo para mim, desde o projeto de cantora. A minha campanha também foi toda articulada por ele. Todas as articulações, parcerias políticas com outros candidatos, tudo feito por ele. Meu marido era uma pessoa muito importante na minha vida.

Dois filhos de Flordelis, um biológico e outro adotivo, estão presos por suspeita de participação no crime.