Brasil

'Foi um crime que foge à regra', diz delegado sobre caso Marielle

Uma assessora da vereadora quase entrou por engano no carro dos criminosos

Agência O Globo
A primeira fase da Operação Lume, deflagrada na manhã desta terça-feira e que prendeu o PM Ronnie Lessa e o ex-PM Elcio de Queiroz pelo homicídio de Marielle Franco e Anderson Gomes aponta que, a princípio, apenas os dois estavam no carro. De acordo com o delegado Giniton Lages, a investigação não pôde utilizar de identificação dos criminosos por testemunhos ou câmeras, pois "eles não erraram". Uma assessora da vereadora quase entrou por engano no carro dos criminosos, chegando a tocar na maçaneta ao confundir o veículo.
— Ela chega a tocar na maçaneta da porta, percebe que o carro está ligado. Mas rapidamente ela vê o carro que é o carro dela. Ela vê a placa e desiste de puxar a maçaneta (do carro dos assassinos). Talvez nós tivéssemos um outro desenho (do crime). São coisas, detalhes da investigação que a gente acaba coletando — concluiu o delegado Giniton Lages.
No momento, além das prisões há 34 mandados de busca e apreensão em andamento e a segunda fase já está em curso.
—  A segunda fase será mais difícil — afirmou Giniton.
Nas tentativas de chegar aos executores e aos mandantes, a polícia analisou os dados cadastrais de 33.329 linhas telefônicas. Desse total, 318 foram interceptadas. Foram ainda 670/533 gigabytes de dados telemáticos analisados.
— Não cometeremos o deslize de revelar as técnicas. Mas foram suficiente para nos dar provas de que ele ocupava o carro, como nos informaram. Não tínhamos testemunho, nem documentação — disse ele ao afirmar que os autos provam tecnicamente sua presença no carro, e complementou — São provas robustas que vão ser apresentadas.
O crime foi classificado como "muito complexo" por Giniton Lages, uma vez que os dois homens permaneceram duas horas ininterruptas dentro do automóvel e não poderiam ser identificados por testemunhas.
— Sabíamos de cara o nível da sofisticação do crime. Eles não deixaram o carro por duas horas. Isso nos chamou a atenção. Alcançamos três testemunhas presenciais. Foi um crime que foge à regra: 80% dos crimes são elucidados com testemunho. No caso Marielle/ Anderson não há essa possibilidade, pois eles não deixaram o veículo. O atirador usava touca ninja. Já sabíamos que não contaríamos com este reconhecimento — disse Giniton, que, em seguida, completou: — Se todas câmeras de segurança estivessem funcionando, ainda não seria suficiente para fechar o caso. Eles (criminosos) não erraram.
Imagens captadas
Imagens de câmeras de segurança do dia do crime foram apresentadas aos jornalistas. Elas mostraram o carro Cobalt prata em que estavam os criminosos circulando na Rua Sargento Faria, na área conhecida como quebra-mar na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. A identificação do veículo foi possibilitada, entre outras características, por um "defeito traseiro inconfundível".