Brasil

Garoto de 12 anos é vítima de racismo em mercado e pai desabafa: 'Inaceitável'

O caso aconteceu quando os dois já passavam as compras pelo caixa e o menino foi conferir o preço de uma das mercadorias

Redação do Correio 24 Horas


Um garoto de 12 anos foi vítima de racismo enquanto fazia compras com o pai neste sábado (10) em um supermercado em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro.  

Em relato indignado no Facebook, o pai da criança, o educador André Couto, afirmou que nunca tinha experimentado uma "sensação como essa". "Quando acontece uma situação dessas com você é muito duro, muito desestabilizante. Mas nada se compara com você ver isso acontecendo com um filho seu", escreveu o educador, que adotou o garoto há 18 meses. 

De acordo com o ele, o caso aconteceu quando os dois já passavam as compras pelo caixa. O filho pediu para que ele comprasse um chocolate, e como o produto estava sem preço, André sugeriu que ele desse até uma máquina para conferir o valor. Quando se virou, André viu que Everton tinha sido abordado por um segurança que tirou o chocolate da mão do menino e estava encaminhando-o para a saída. Imediatamente, o pai questionou a atitude do funcionário.

"O funcionário, que disse ser um fiscal, falou que uma pessoa disse alguma coisa sobre o meu filho para ele. Não faz sentido nenhum abordar um cliente com um produto na mão atrás da linha do caixa. Não existe nada mais banal do que isso dentro de um mercado, é assim que se faz. Se houve mesmo essa pessoa, o que fez o segurança abordar o meu filho foi o fato dele ser um menino negro. Porque fora isso não há nada de diferente das outras pessoas dentro do mercado", escreveu. 

Depois de ser questionado, André contou que o funcionário acabou se retirando e chamando um gerente. Um segundo gerente foi chamado e os quatro foram para uma sala onde os funcionários se desculparam pelo ocorrido.

Segundo André, o pedido de desculpas não foi aceito por ele. "Não acho que seja o caso de pedir desculpas. Qual é o protocolo do mercado para abordar clientes? Se existe um, é importante que ele seja revisto e se não existe, é importante que seja criado e não leve em consideração aspectos exteriores. O meu filho não pegou o chocolate, ultrapassou os caixas e estava se dirigindo para a rua, longe disso. Então para mim é inaceitável e não aceito desculpas", desabafou.

Ele pretende prestar queixa por racismo para que o episódio sirva como mais um alerta sobre os casos de racismo no Brasil. A assessoria do supermercado ainda não se posicionou sobre o ocorrido.