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Google recebe multa de R$ 50 mil por fotos e vídeo de Cristiano Araújo morto

Empresa tinha pedido embargo em decisão sobre retirada de imagens, mas Justiça negou

Redação do Correio 24 Horas
- Atualizada em

A Justiça de Goiás negou um recurso feito pela Google e ainda multou a empresa em R$ 50 mil por fotos e vídeos do cantor Cristiano Araújo, morto em um acidente de carro no dia 24 de junho, ainda estarem circulando no site de buscas. As imagens divulgadas nas redes sociais mostram os corpos do cantor e sua namorada, Allana Moraes, que também morreu no acidente, sendo preparados para o enterro. 

Foto: Divulgação


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O Google havia pedido um embargo na determinação da exclusão imediata do conteúdo, divulgada pela Justiça no dia 25 de junho. A juíza Denise Gondim de Mendonça, da 5º Vara Cível da capital, que analisou o recurso, negou o pedido e ainda determinou o pagamento de uma multa "pela má fé praticada", já que algumas imagens ainda podem ser encontradas no Google. Em nota enviada ao site G1 Goiás, a assessoria de imprensa do Google informou que vai recorrer da decisão.

Foto: Reprodução/Instagram

Vazamento de fotos

O cantor Cristiano Araújo, 29 anos, e a namorada, Allana Moraes, de 19 anos, morreram após um acidente de carro na BR-153, em Goiás, quando voltavam de um show em Itumbiara, no sul do estado. O empresário Victor Leonardo e  o motorista do cantor, Ronaldo Miranda, também estavam no veículo e se feriram no acidente, mas já tiveram alta médica. A família do cantor entrou na Justiça com ação por danos morais contra a Clínica Oeste, onde foram registradas imagens do corpo do artista sendo preparada para o enterro. Também foram acionadas a Funerária Paz Eterna, contratada para o transporte, e a seguradora do plano funerário, que não teve o nome divulgado.

Foto: Reprodução

A ação foi protocolada na tarde de quarta-feira (1º) no Fórum de Goiânia em nome do pai do músico, José Reis de Araújo. "Pedimos uma indenização para a família do cantor, a título de danos morais, em função dos transtornos causados pela exposição das imagens do corpo. Além do sofrimento que eles já enfrentavam, ainda tiveram que lidar com essa situação e ficaram consternados", disse ao G1 a advogada Amelina Moraes do Prado. O vazamento de imagens do cantor aconteceu no dia seguinte à morte dele. Vídeos e fotos circularam nas redes sociais mostrando tanto o cantor sem vida como a namorada dele, Allana Moraes, que também morreu no acidente.

A Clínica Oeste disse em nota que "lamenta profundamente a divulgação de imagens do corpo do cantor Cristiano Araújo e que a família e os fãs do artista tenham de passar por essa situação". Disse ainda que não foi notificado sobre a ação, mas tomará todas as providências junto à Justiça quando isso acontecer. A Funerária Paz Eterna também disse que não foi notificado. "Se assim for, vamos apresentar a nossa defesa no momento adequado", diz nota. Valores da indenização não foram citados pela defesa.

Foto: Divulgação

Investigação

A Polícia Civil indiciou três pessoas pelo crime de vilipêndio de cadáver (desrespeito ao corpo), que tem pena prevista de 1 a 3 anos de prisão. Segundo as investigações, os técnicos em tanatopraxia (procedimento de retirada dos fluídos do corpo para o enterro) Marco Antônio Ramos, 41 anos, e Márcia Valéria dos Santos, 39 anos, foram os responsáveis pela produção do vídeo. Os dois, que trabalhavam na Clínica Oeste, foram demitidos por justa causa. O estudante de enfermagem Leandro Almeida Martins, 24 anos, apontado como o responsável por disseminar os vídeos e fotos nas redes sociais, também foi indiciado.

De acordo com o delegado Eli José de Oliveira, responsável pelo caso, Márcia foi quem gravou o momento em que o corpo do cantor era preparado por Marco, que foi indiciado por ser cúmplice e não ter impedido a colega de fazer a gravação. Segundo informações da polícia, Márcia enviou o vídeo a Leandro, que estuda na mesma universidade que ela e foi responsável por disseminar o material. O jovem repassou o vídeo para duas tias, de 39 e 40 anos.

Foto: Reprodução/Instagram

As duas mulheres somente não foram indiciadas porque, em depoimento, alegaram que ficaram horrorizadas e excluíram o arquivo antes que pudessem terminar de assistir. Os celulares das duas foram apreendidos e passam por perícia. "[O procedimento] vai confirmar essa versão de que não enviaram a gravação, que foi feita de forma desrespeitosa e humilhante. Se algo for comprovado, mesmo após a conclusão do inquérito, elas poderão ser indiciadas", disse o delegado.

Não há prazo para que o laudo da perícia dos celulares fique pronto. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário. Em nota enviada ao G1 Goiás, na última quinta-feira (2), a Clínica Oeste disse que "lamenta profundamente a divulgação de imagens do corpo do cantor e que a família e os fãs do artista tenham de passar por essa situação".

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