Brasil

Grávida dá à luz em estação de transporte público usando saco plástico e cadarço de sapato

Uma técnica de enfermagem que passava pela estação, e seguia para o trabalho, viu a situação e conduziu o parto improvisado

Agência O Globo

Passageiros que passavam pela estação Lourenço Jorge do BRT, na Barra da Tijuca, na manhã desta sexta-feira viveram um momento de tensão, mas também de muita emoção. Natália Nascimento, de 28 anos, estava em casa, na Cidade de Deus, ainda de madrugada, quando começou a sentir contrações. Ela pegou a linha 35 (Madureira-Alvorada) e partiu rumo à Maternidade Leila Diniz. O que ela não esperava, é que a pequena Nauoni tinha pressa para vir ao mundo. Logo ao descer do articulado, ela sentiu as contrações aumentarem e o parto precisou ser improvisado no chão da estação.

— Todo mundo começou a me ajudar. O pessoal do BRT ficou ao meu lado e me chamou uma ambulância, mas não deu tempo. O jeito foi fazer força e deixar a bebê nascer — contou Natália.

A sorte estava do lado de Natália. Uma técnica de enfermagem que passava pela estação, e seguia para o trabalho, viu a situação e conduziu o parto improvisado. O jeito foi usar sacos plásticos, como luva e até o cadarço do sapato de Caio Oliveira, controlador de estação do BRT, para amarrar o cordão umbilical. A colega dele, Cristiane Oliveira da Silva relata a emoção vivida no momento.

Natália e Nauoni após parto improvisado (Foto: Divulgação / BRT)
— Quando a bebê fez o primeiro barulhinho, meu olho encheu d’água. Que experiência maravilhosa! Nunca tinha passado por uma situação como essa — contou.

Quando a equipe dos bombeiros chegou, Natália e Nauoni foram enfim levadas à maternidade para onde, inicialmente, a mãe estava a caminho, e agora devem ficar por lá até domingo. De acordo com o BRT, as duas passam bem e, na tarde desta sexta, receberam a visita da equipe da concessionária que participou do parto. Eles levaram roupinhas e toalhinhas com a marca do BRT.

— A gente tenta focar, seguir todos os protocolos, mas a emoção toma conta. A primeira intenção era deixá-la segura, afastar curiosos. Mas entre uma decisão e outra, não tinha como não tremer — contou, já de forma descontraída, Leonardo Pinto, supervisor de equipe.

— Serviu como aprendizado, para estarmos mais preparados para essas surpresas. Cheguei depois do nascimento, para reforçar equipe, controlar as catracas. Mas, depois de toda essa correria, só agora, vendo que mãe e filha passam bem, respiro aliviado — disse, emocionado, o controlador de estação Robson Pereira de Sousa, que também estava por lá durante o parto.

Nauoni é o quinto filho de Natalia. Moradora da Cidade de Deus, ela conta com a ajuda do marido e da mãe para cuidar da família. Mas, na urgência em sair de casa, ela diz que esqueceu o enxoval da bebê.



— Ela estava sem roupa, só enrolada nos lençóis até agora. Essa visita, trazendo todos esses presentes, foi um milagre. Muito obrigada por tudo o que vocês fizeram pela gente hoje — , disse Natalia aos funcionários do BRT.