Brasil

Imposto de Renda 2018: Seis em cada dez brasileiros vão antecipar restituição

Especialistas, porém, alertam que medida só é recomendada para quem está endividado

Marina Brandão, da Agência O Globo
A menos de cinco dias do prazo final do Imposto de Renda, em 30 de abril, mais de 18 milhões de declarações já foram enviadas e contribuintes aguardam os lotes de restituição, que serão distribuídos entre junho e dezembro. A maioria, porém, não vai esperar até o fim do ano para receber o benefício. Ao todo, seis em cada dez brasileiros decidiram antecipar a restituição este ano. É o que mostra o levantamento da plataforma de crédito online Just, do grupo GuiaBolso.
Especialistas explicam, no entanto, que, apesar de a ideia de ter um dinheiro extra em mãos ser sedutora, essa alternativa só é indicada, basicamente, para quem tem dívidas com juros maiores do que essa linha de crédito.
— Os juros dessa operação costumam ser bem menores, abaixo da linha de crédito pessoal. Pode ser uma oportunidade para as pessoas que estiverem endividadas, para trocar os juros mais altos por esses, mais baixos, e se livrar dessa carga maior de encargos financeiros. Mas não é indicada para aqueles que quiserem simplesmente gastar o dinheiro — avalia Gilberto Braga, professor de economia do Ibmec.
No caso da reforma da casa, motivo escolhido por 9,5% dos participantes, e da compra do carro, selecionada por 4,4%, a dica é a mesma: o dinheiro da restituição só deve ser adiantado se a taxa de juros for menor do que a cobrada nesta modalidade de crédito.
Na maior parte dos casos, as taxas de antecipação são inferiores à média cobrada na maior parte das modalidades de empréstimos às pessoas físicas. Essa média, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), é de 7,30% ao mês, mas pode passar de 12% no caso do cheque especial e cartão de crédito.
Antecipação não é vantajosa em caso de investimentos
Mais da metade das pessoas pretende justamente pegar o benefício para saldar dívidas — 51,8% ao todo. O segundo principal motivo, no entanto, já não é tão vantajoso. De acordo com a pesquisa, 12,4% dessas pessoas quer o dinheiro na mão para investir. Nesse caso, alerta o diretor da Just, Bruno Poljokan, a regra geral é que os juros dos investimentos dificilmente superam o que será cobrado na antecipação.
— As pessoas acreditam que podem ganhar mais tirando esse dinheiro logo. Mas nenhuma opção de investimento segura vai render os 6,5% da taxa Selic. Mesmo as operações com risco podem não chegar a isso. Se a escolha for investir, o melhor investimento é deixar seu dinheiro parado — explica Poljokan.
O uso do recurso para pagamento de tratamentos médicos ou outros serviços relacionados à saúde também foi motivo selecionado por 4,4% do total de consumidores ouvidos na pesquisa. — Nessas situações, o crédito acaba sendo uma saída, mas o indicado é ter uma reserva para emergências, para esses imprevistos — conclui Poljokan.