Brasil

José Yunes, ex-assessor de Temer, é preso pela Polícia Federal

Prisão temporária de Yunes, com prazo de 5 dias, foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso

Agência O Globo

Ex-assessor de Temer é preso pela Polícia Federal nesta quinta (29)

O advogado José Yunes, amigo e ex-assessor do presidente Michel Temer, foi preso nesta quinta-feira, em São Paulo, pela Polícia Federal. As informações são do blog da jornalista Andréia Sadi, do portal G1.

Também é alvo da ação, segundo a TV Globo, Antônio Celso Grecco, presidente do grupo Rodrimar. Outros mandados estão sendo cumpridos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Foto: Divulgação

A prisão temporária de Yunes, com prazo de 5 dias, foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que apura irregularidades no decreto dos portos, editado em 2017. Yunes segue agora para a sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, no bairro da Lapa. Ao G1, a defesa de Yunes confirmou a prisão e criticou a decisão da Justiça.

"É inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu a todos os atos para colaborar. Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania", afirmou o advogado José Luis de Oliveira Lima. A defesa de Grecco também confirmou a prisão à TV Globo.

No começo do mês, Barroso já havia determinado a quebra dos sigilos bancários de Temer e Yunes no âmbito da investigação do decreto dos portos. Além dos dois, também foram alvo da medida o ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures, flagrado com uma mala de dinheiro dada pelo grupo J&F. A decisão também quebrou os sigilios do coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer, de Antônio Celso Grecco e de Ricardo Mesquita, diretor do grupo Rodrimar.


Encontro fora da agenda

O último encontro de Yunes e Temer ocorreu na última segunda-feira. Fora da agenda, o presidente jantou com o amigo em São Paulo, como revelou o colunista Lauro Jardim.

Em sua delação premiada, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, operador financeiro do PMDB, afirmou ter buscado uma caixa com R$ 1 milhão no escritório de Yunes. O dinheiro pertenceria a Temer a partir de um acordo de caixa 2 feito com a Odebrecht. A quantia teria sido remetida a Salvador, mais especificamente para o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), outro amigo íntimo do presidente da República, preso em setembro do ano passado.