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Justiça decreta prisão do médium João de Deus após mais de 300 denúncias de abuso sexual

Líder espiritual nega todas as acusações de abuso sexual

Redação iBahia com agências (redacao@portalibahia.com.br)
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A Justiça de Goiás decretou, nesta sexta-feira (14), a prisão preventiva do médium João de Deus após mais de 300 denúncias de abuso sexual durante consultas espirituais em Abadiânia (GO). A TV Anhanguera confirmou a informação através do Secretário de Segurança Pública de Goiás, Irapuan Costa Júnior.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
De acordo com a apuração da TV Anhaguera, um dos advogados de defesa de João de Deus, Thales Jayme, afirmou que foi informado sobre o mandado de prisão, mas até às 12h30 (horário de Brasília) ele não tinha recebido o documento. Ele disse ainda que não conseguiu falar com o médium na manhã desta sexta-feira.

“Foi dito hoje, por uma fonte fidedigna, que a prisão havia sido decretada, estava de posse do mandado de prisão e com alguns policiais trabalhando. Visse a possibilidade de se apresentar, como seria, uma situação menos dolorosa, estou indo a Anápolis para ver se consigo falar com alguém”, contou o delegado, para a Tv Anhaguera, através do telefone.

O pedido de prisão foi protocolado pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) nesta quarta-feira (12) após de mais de 300 denúncias de mulheres de abuso sexual. Ainda não se sabe se este documento que originou o mandado de prisão.

Nesta quinta-feira, o advogado Alberto Toron, que defende o médium, foi ao Fórum de Alexânia, cidade vizinha a Abadiânia, no interior de Goiás, para apresentar a versão do líder espiritual ao juiz Fernando Chacha. A tentativa de evitar a prisão de João de Deus, no entanto, fracassou.

O defensor disse ao juiz que João de Deus queria continuar seu trabalho e chegou a propor que ele fosse filmado e vigiado por policiais enquanto consultava no seu centro espiritual.

- Nós trouxemos uma petição, que se ele assim o desejar, para o seu João de Deus continuar o trabalho dele, ele poderá filmar todo o trabalho, se ele quiser colocar policiais na casa, poderá fazê-lo, para se ter certeza de que nada de ilícito ali é praticado -  explicou Toron.

Toron afirmou ao GLOBO que o líder religioso está "verdadeiramente triste e inconformado com as acusações de abuso sexual e que vem sofrendo muito".

Filha diz que foi abusada

Dalva Teixeira, de 49 anos, filha do médium, afirmou em entrevista à revista "Veja" que foi abusada pelo pai pela primeira vez aos 10 anos. No relato, que será publicado na edição desta semana da revista, Dalva conta que, na ocasião, o pai a mandou ficar nua e passou o pênis por todo seu corpo. Os abusos aconteceram até seus 14 anos, quando ficou grávida de um funcionário de João e foi espancada pelo médium, a quem chama de "monstro", por conta disso.