Brasil

Lula vai sair pela 1ª vez da cadeia para depor à juíza substituta de Moro

Ex-presidente é acusado de ter sido beneficiado por reformas feitas por OAS e Odebrecht

Agência O Globo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestará depoimento nesta quarta-feira à juíza Gabriela Hardt, que substitui o juiz Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba. Essa será a primeira vez que Lula sairá da Superintendência da Polícia Federal desde que foi preso no dia 7 de abril. O depoimento está marcado para as 14h no prédio da Justiça Federal da capital paranaense.Após ter sido condenado a 12 anos e um mês de prisão no caso do tríplex do Guarujá, Lula enfrenta agora a fase final do processo sobre o sítio de Atibaia, no interior de São Paulo. 

Foto: Reprodução

O ex-presidente é réu junto com outras 12 pessoas na ação que  investiga os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia . Lula é acusado de ser o real proprietário do imóvel e de ter sido beneficiado por reformas orçadas em R$ 1.020.500, e feitas pelas construtoras OAS e Odebrecht entre o fim 2010, quando ele ainda ocupava a Presidência da República, e 2014.

O PT e movimentos sociais, como a CUT e o MST, vão realizar um ato na frente do prédio da Justiça na hora do depoimento. Mas, de acordo com os próprios petistas, a mobilização deve ser menor do que a realizada nas outras duas vezes em que Lula foi interrogado pelo juiz Sergio Moro: sobre o tríplex do Guarujá e sobre a compra de um prédio para o Instituto Lula.

Foram anunciadas as presenças da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e do líder do partido na Câmara, Paulo Pimenta (RS). O candidato derrotado da legenda na disputa à Presidência, Fernando Haddad, não irá a Curitiba.

Dos dois acampamentos montados nas proximidades da Policia Federal em Curitiba apenas um continua funcionando. Ao lado do prédio, num terreno particular, as pessoas se revezam em vigília numa barraca com faixas “Lula livre" e bandeiras do PT.

O acampamento Marisa Letícia, que havia sido instalado a um quilômetro da sede da PF, foi esvaziado no último dia 4 de novembro, depois das eleições.

Segundo a denúncia, a Odebrecht gastou R$ 700 mil com a reforma do sítio em troca de três contratos com a estatal e a OAS pagou R$ 170 mil por ter sido beneficiada em outros três contratos. Os R$ 150,5 mil restantes vieram das contas do pecuarista José Carlos Bumlai, tido como amigo do petista, e que também tem depoimento marcado nesta quarta-feira.

A defesa de Lula afirma que ele não é o dono do sítio, que está registrado em cartório em nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar.

A juíza Gabriela Hardt já ouviu executivos da Odebrecht e da OAS e também Fernando Bittar, um dos donos do sítio, que negou ser laranja de Lula e disse que as obras feitas no sítio eram para abrigar o acervo presidencial trazido de Brasília e que acreditava que Lula e dona Marisa iriam pagar. Os três também são réus nos mesmo processo.

O ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht disse que as intervenções realizadas na propriedade foram a primeira destinada à "pessoa física do Lula" .

- Seria a primeira vez que a gente estaria fazendo uma coisa pessoal para presidente Lula. Até então, por exemplo, tinha tido o caso do terreno do instituto, bem ou mal, era para o Instituto Lula, não era pra pessoa física dele.

Em seu depoimento, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro afirmou que combinou as obras no sítio diretamente com Lula e que o petista chegou a sugerir que fosse usada a mesma equipe que trabalhou na reforma do tríplex do Guarujá. Segundo o empresário, a  ideia não vingou devido à grande distância entre as duas cidades - Atibaia e Guarujá - e ao fato de a empreiteira ter usado uma empresa terceirizada para as obras do tríplex. No sítio, segundo ele, as obras eram bem menores e foram feitas por funcionários da empresa.

- O presidente até tinha me sugerido pegar o mesmo pessoal que estava fazendo o tríplex. Eu na época expliquei a ele que era muito distante, e que era uma empresa subcontratada nossa, a Talento, que fez o triplex do Guarujá. Esse serviço (o do sítio), como era muito menor, seria feito por pessoas nossas mesmo que ficariam morando no sítio - relatou.