Brasil

Medo do desemprego leva tripulantes da Avianca a recorrer a feirão de emprego

Estima-se que aproximadamente cem empregados já tenham sido contatados por companhias estrangeiras

Leo Branco, da Agência O Globo

Os percalços financeiros da Avianca Brasil não estão apenas afetando a vida de passageiros com voos cancelados ou atrasados. Diante da perspectiva de ficar sem emprego ou salários, um contingente cada vez maior de tripulantes e comissários de bordo da companhia está buscando um novo emprego.

Um termômetro disso são os feirões de emprego, sessões de palestras eworkshops realizados no auditório do Sindicato dos Aeronautas (SNA) nos arredores do aeroporto de Congonhas. O SNA costuma montar uma sessão dessas por mês. Mas, desde dezembro, com o pedido de recuperação judicial da Avianca, já promoveu 40 desses encontros — praticamente dez por mês.

Para Ondino Dutra, presidente do SNA, a crise da Avianca é grave e muitos profissionais já buscam mudar de emprego. De acordo com Dutra, boa parte da mão de obra da Avianca está sendo assediada por companhias estrangeiras, como Emirates, dos Emirados Árabes Unidos, e Oman Air, de Omã.

Quarenta e quatro empresas já participaram dos feirões. Estima-se que aproximadamente cem empregados da Avianca já tenham sido contatados por companhias estrangeiras. Hoje, a aérea tem cerca de 1.500 tripulantes, entre pilotos e comissários.

Apoio psicológico

E a partir desta quarta-feira, a Infraero informou que a Avianca Brasil terá de pagar antecipadamente as taxas aeroportuária para realizar seus voos programados em aeroportos administrados pela estatal.

Apesar da delicada situação financeira, a Avianca Brasil deve manter a operação até o leilão das sete Unidades Produtivas Isoladas (UPIs), espécie de “miniaviancas” compostas por slots (autorização de voos e decolagens). O objetivo é saldar parte das dívidas, da ordem de R$ 3 bilhões. O leilão está marcado para 7 de maio.