Brasil

Morte de Marielle Franco teve participação de milicianos, garante general Richard Nunes

Secretário de Segurança do Rio espera solucionar crime até o fim da intervenção, em 31 de dezembro

Agência O Globo

O envolvimento de milicianos no assassinato da vereadora Marielle Franco, em março deste ano, foi confirmada pelo secretário de Segurança do Rio, general Richard Nunes, em entrevista à GloboNews, nesta quarta-feira. Ele declarou ainda que espera solucionar o crime até o fim da intervenção, daqui a 40 dias.

 — Não é um crime de ódio. Falei isso logo na primeira entrevista que dei, em março. É um crime que tem a ver com a atuação política, em contrariedade de alguns interesses. E a milícia, com toda certeza, se não estava no mando do crime em si, está na execução —, disse Nunes, que acredita na participação de políticos na execução.

Foto: Reprodução

As investigações, segundo ele, têm 14 volumes e alguns culpados já foram encontrados. No entanto, a preocupação agora é reunir provas cabais para que os responsáveis não sejam inocentados após denunciados.

— Alguns participantes nós temos, com certeza, agora o problema todo é esse: nós temos que criar uma narrativa consistente ligando esses atores com provas cabais que não venham a ser contestadas em juízo, no tribunal do júri. Aí sim seria um fracasso - que a sociedade não observasse esses criminosos sendo efetivamente condenados — acrescentou.

GENERAL NÃO CONCORDA COM EXTINÇÃO DA SECRETARIA DE SEGURANÇA

Sendo a 'integração' regra número um durante a gestão do secretário Richard Nunes, ele declarou não aprovar a extinção da pasta. A medida foi anunciada pelo governador eleito Wilson Witzel, que pretender dar status de secretário ao chefe de Polícia Civil e ao comandante-geral da Polícia Militar. Atualmente, as corporações são subordinadas à Secretaria de Estado de Segurança e os setores de inteligência unificados.

— Eu não faria, tanto que nós assumimos e nosso papel foi fortalecer as instituições. No nosso entendimento, a palavra de ordem é integração. Isso não é no Rio de Janeiro, isso é em qualquer lugar. As Forças Armadas têm adotado recentemente uma doutrina de operações interagências porque nós não nos entendemos mais agindo de maneira singular —, disse Nunes.