Brasil

Mulher espancada por 4h terá alta nesta sexta-feira (22)

Reconstrução completa do rosto da vítima demore até seis meses

Agência O Globo

A paisagista Elaine Caparroz, de 55 anos, recebeu alta na manhã desta sexta-feira após ficar sete dias internada no Hospital Casa de Portugal, no Rio Comprido, Zona Norte. A mulher foi espancada durante cerca de quatro horas no último fim de semana, no apartamento onde mora, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A paisagista deve deixar a unidade a qualquer momento.

Foto: Reprodução

Por volta das 8h30, durante o procedimento de alta hospitalar, Elaine recebeu as orientações médicas de uma equipe multidisciplinar. O último boletim médico divulgado nesta sexta-feira (22) informa que, durante o tempo em que permaneceu internada, ela foi avaliada pelos setores de Cirurgia Buco Maxilofacial, Odontologia, Oftalmologia e Neurocirurgia. A nota destaca ainda que ela está "em plenas condições clínicas e laboratoriais", recebendo, assim, a alta.

Após receber alta, a paisagista terá um longo caminho a ser percorrido. Ela será acompanhada pela equipe do cirurgião Ricardo Cavalcanti Ribeiro, chefe do setor no hospital onde Elaine ficou internada. Segundo o médico, a mulher fará uma nova avaliação na próxima segunda-feira. A previsão inicial é de que a reconstrução completa do rosto da vítima demore até seis meses. Isso porque, segundo os médicos, é preciso esperar que as lesões cicatrizem e os tecidos se recuperem antes de fazer as cirurgias necessárias.

— A primeira fase será para recuperar os ossos. As agressões deixaram o septo nasal e o assoalho da órbita quebrados. Isso deve acontecer daqui a cerca de um mês, quando o rosto dela desinchar e o edema facial diminuir. Depois, com mais cinco meses, faremos a cirurgia estética. Com ferimentos desse tipo, é preciso esperar o organismo cicatrizar as lesões e os tecidos ficarem todos maturados antes do tratamento — explica o médico.

Durante os dias em que ficou internada, Elaine teve a companhia dos irmãos, que vieram de São Paulo; do filho, o lutador Rayron Gracie, que mora nos Estados Unidos e veio ao Brasil visitar a mãe; e de amigos. Agora, após a ida para casa, a expectativa é de que ela seja ouvida pela polícia. A delegada Adriana Belém, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), espera colher o depoimento da vítima o quanto antes.

— Pegar o depoimento dela é muito importante para sabermos exatamente como o crime aconteceu, se a Elaine realmente dormia quando começou a ser atacada pelo agressor ou se ela estava acordada — destaca a delegada, que também vai buscar possíveis agravantes para essa tentativa de feminicídio.

Vinicius Batista Serra, acusado de agredir Elaine, está desde a última quarta-feira num hospital penitenciário do Rio, para realizar exames de sanidade mental. A análise deverá determinar se ele, preso preventivamente desde o fim de semana passado, tem problemas mentais e ainda se tinha condições de ter noção de seus atos durante o episódio. Até a noite desta quinta-feira, ele continuava na unidade psiquiátrica. O resultado do exame ainda não está pronto. Pouco depois de ser preso, Vinicius alegou que teve um surto psicótico após tomar vinho. A polícia, no entanto, não acredita nessa versão.

Espancada por quatro horas por Vinícius, Elaine sofreu várias fraturas no rosto. As agressões ocorreram na madrugada de sábado. Elas começaram por volta de 1h e se estenderam até quase 5h30. Foram socos e mordidas, entre outros golpes. Os dois se conheceram pela internet, conversaram durante oito meses e marcaram o encontro na casa da vítima.