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‘Nossa posição é se aliar a qualquer país no combate ao terrorismo’, diz Bolsonaro

O presidente disse que a vida do general iraniano Qassem Soleimani, morto na quinta-feira em ataque dos EUA, era 'voltada em grande parte para o terrorismo'

Gabriel Shinohara e Amanda Almeida, da Agência O Globo

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira que a posição do governo em relação a tensão entre EUA e Irã é de fazer aliança com “qualquer” país que combata o terrorismo. Na quinta-feira, o general iraniano Qassem Soleimani foi morto em ataque de míssil dos EUA. A morte causou reações e promessas de vingança do governo do Irã. O presidente foi entrevistado pelo apresentador José Luiz Datena no programa "Brasil Urgente".

 —   A nossa posição é se aliar a qualquer país do mundo no combate ao terrorismo. Nós sabemos que, em grande parte, o Irã representa para os seus vizinhos e o mundo. Assim sendo, do que pode extrair, do que levantamos até agora da vida pregressa dessa autoridade iraniana que perdeu a vida no dia de ontem  —   disse.

Bolsonaro também afirmou que a vida pregressa do general iraniano morto na quinta-feira era “voltada em grande parte para o terrorismo”.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
 —   Segundo informações aqui, pessoa que estaria envolvida em ataques à entidade judia que existia na Argentina  —  disse, referindo-se ao atentado contra a AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina), que deixou 85 mortos em 1994.  —  Então, a vida pregressa dele era voltada em grande parte para o terrorismo e nós aqui no Brasil, a nossa posição é bem simples. Tudo que pudermos fazer para combater o terrorismo, assim o faremos.

O Brasil exporta cerca de US$ 2 bilhões por ano para o Irã, na maior parte commodities como milho, carne e açúcar. No caso do milho, os iranianos são responsáveis por comprar um terço de todas as exportações brasileiras do produto.

O apresentador do programa perguntou se o presidente se colocou a favor do ataque como medida preventiva. Bolsonaro respondeu que é favorável a medidas contra o terrorismo, mas evitou se posicionar de forma mais objetiva.

 —   Somos favoráveis a qualquer medida de combate ao terrorismo no mundo. É isso que posso te passar  —   afirmou.

 O presidente também afirmou que o governo sabe da posição do Irã perante o mundo e que não pode concordar com grande parte do que acontece no país.

 —    Nós sabemos a posição do Irã perante o mundo, o que os árabes pensam a respeito do Irã e como o abandono de apoios ao Irã vem acontecendo nos últimos anos. Então, acompanhamos isso. Não podemos concordar em grande parte do que acontece lá. Mas temos uma posição de certa distância. Afinal de contas, o Brasil tem os seus problemas. Nós aqui não coadunamos com terrorismo.



 Bolsonaro também afirmou que esse tipo de tensão é negativo para o resto do mundo e não chega a lugar nenhum. Segundo o presidente, o país mais forte “faz valer sua vontade”.

 —   Não se chega a lugar nenhum no tocante, acontecendo esses conflitos aí. Todo mundo perde um pouco, uns vão perder menos, outros vão perder mais. Quem é mais fraco vai perder mais, as nações né, existem seus interesses, mas o coração, a pátria do país mais forte faz valer a sua vontade. Não adianta você ter um excelente Itamaraty, um pessoal bom de saliva, porque a gente sabe, quando acaba a saliva entra a pólvora - afirmou o presidente.

Questionado sobre as análises de o conflito se tornar uma "terceira guerra mundial" e qual seria a posição do Brasil neste caso, Bolsonaro disse que "o Brasil abriu mão na Constituição de ter um poderio bélico-nuclear, nas Forças Armadas".

 —   O que nós queremos mais é torcer. Nós não temos poder bélico. Temos de torcer para dar tudo certo.