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'O Exército não matou ninguém, houve um incidente', diz Bolsonaro sobre morte de músico

Durante evento em Macapá, o presidente declarou ainda que 'está sendo apurada a responsabilidade (da morte)' e que 'no Exército sempre tem um responsável'

Agência O Globo

O presidente Jair Bolsonaro se pronunciou pela primeira vez sobre o caso do músico Evaldo dos Santos Pereira, de 51 anos, que foi morto quando o carro que dirigia foi fuzilado por cerca de 80 tiros disparados por militares do Exército. Segundo o "G1", Bolsonaro disse que "o Exército não matou ninguém" e classificou a ocorrência como um "incidente".

Foto: Agência Brasil
— O Exército não matou ninguém, não. O Exército é do povo e não pode acusar o povo de ser assassino não. Houve um incidente, uma morte. Lamentamos a morte do cidadão trabalhador, honesto e está sendo apurada a responsabilidade. No Exército sempre tem um responsável. Não existe essa de jogar para debaixo do tapete. Vai aparecer o responsável — Disse o presidente durante evento de inauguração do aeroporto de Macapá, nesta sexta-feira.

Bolsonaro reforçou que que uma perícia já foi pedida para que seja apurado o que de fato aconteceu.

— O Exército, na pessoa de seu comandante, vai se pronunciar sobre este assunto e se for o caso eu me pronuncio também. Nós vamos assumir a nossa responsabilidade e mostrar o que realmente aconteceu para a população brasileira — disse.


Família ia para chá de bebê
Segundo a Polícia Civil, nove militares do Exército dispararam mais de 80 tiros contra o carro em que Evaldo estava com a mulher, o filho de 7 anos, além de uma afilhada do casal, de 13, e o sogro dele, Sérgio Gonçalves de Araújo, de 59 anos. A família estava indo para um chá de bebê. Evaldo, que além de músico, trabalhava como segurança, morreu na hora. Baleado nos glúteos, Sérgio está internado no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste do Rio.
Foto: Reprodução
— Quando eles (os militares) começaram a atirar, minha tia pegou meu primo no colo e mostrou que era um carro de família, mas eles não pararam — relatou um sobrinho de Evaldo.

O delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, disse, neste domingo, que "tudo indica" que os militares do Exército atiraram ao confundirem o carro com o de assaltantes.

— Foram diversos, diversos disparos de arma de fogo efetuados, e tudo indica que os militares realmente confundiram o veículo com um veículo de bandidos. Mas neste veículo estava uma família. Não foi encontrada nenhuma arma [no carro]. Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares —  afirmou o delegado em entrevista à TV Globo.