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O que fazer depois de ganhar na Mega-Sena; prêmio de R$ 125 milhões será sorteado hoje

Acertar os números sorteados não quer dizer que se possa sair correndo para gastar

Ana Paula Ribeiro, da Agência O Globo
A Mega-Sena pode pagar nesta quinta-feira ao menos R$ 125 milhões em seu prêmio principal. Como ocorre em toda premiação dessa magnitude, o sortudo ou sortuda terá 90 dias para resgatar a fortuna em alguma agência da Caixa Econômica Federal (CEF). Mas acertar os números sorteados não quer dizer que se possa sair correndo para gastar esses milhões de forma imediata.
Valores elevados só são liberados após 48 horas. É a partir desse momento que os “sortudos” começam a ser disputados pela CEF, que não tem um serviço especial para multimilionários, e pelos bancos privados, onde os segmentos chamados de “private banking” têm produtos focados nesse seleto segmento.
Do ano passado até o fim do primeiro trimestre de 2019, a Caixa pagou 220 prêmios superiores a R$ 2 milhões em todo o Brasil. Esse é um valor que já garante esse atendimento diferenciado em boa parte dos bancos de varejo - sem contar empresas de investimento focadas nesse público e que também almejam gerenciar esses recursos.
Esqueça a espera para ser atendido por um tradicional gerente, que cuida de centenas de clientes. Ao ir resgatar o prêmio na Caixa, e isso é feito após a validação do bilhete premiado, o atendimento ao ganhador será mais exclusivo e feito por um especialista em planejamento financeiro, que vai oferecer serviços exclusivos que vão desde dicas de como lidar com as dívidas da vida passada até os investimentos mais adequados.
"As principais recomendações são quitar as dívidas, aplicar e só depois investir em negócios e adquirir bens", explica a Caixa sobre o tratamento direcionado aos sortudos. A ideia dessa consultoria especializada é proteger o patrimônio do cliente de acordo com o perfil e objetivo de cada um.
Cliente 'private': R$ 9 milhões para investir
Esse é o mesmo serviço oferecido aos clientes de alta renda do banco. Isso porque, mesmo administrando as loterias e sendo responsável pela distribuição dos prêmios milionários, a Caixa praticamente não tem a área de private no banco.
Os produtos de investimento para esse público também são limitados. A maior parte, são os com isenção de Imposto de Renda (IR), como certificados de recebíveis imobiliários (CRIs, títulos que tem como lastro operações do setor imobiliário).
Já em outras instituições, esses investidores acabam tendo acesso a estratégias e produtos de investimento distintos de um investidor comum, como debêntures de infraestrutura (que também dão isenção de IR), fundos exclusivos ou investimentos no exterior.
Um cliente do private tem, em média, R$ 8,9 milhões em investimentos. Metade disso fica em fundos e o restante dividido entre títulos públicos, privados e ações e planos de previdência. Uma fatia muito pequena (0,4%) vai para a caderneta de poupança.
Já o instrumento mais popular de investimento do país, e um dos que menos rende, é o preferido por dois terços dos investidores de varejo no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Para proteger patrimônio, seguros
— Aqui ele passa a ter um especialista de produtos e tem um processo de consultoria de investimento, mas também mostramos como ele pode proteger o seu patrimônio com seguros, por exemplo — explica Martin Iglesias, diretor de investimentos do Itaú.
O mais importante, segundo Iglesias, é que o consultor consiga identificar qual é o perfil desse novo milionário para assim ajudá-lo a investir esse dinheiro e preservar esse patrimônio. Isso se faz ainda mais necessário porque é grande a chance desse ganhador não ter o hábito de investir ou educação financeira, o que pode levar ele a erros na gestão dessa fortuna.
Educação dos filhos e ajuda a família
Jayme Paulo Carvalho Junior, diretor da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros), lembra que além de traçar o perfil do investidor, também é necessário saber quais são seus objetivos e o que o ganhador gostaria de realizar. Nessa hora, é levado em conta se irá priorizar a educação dos filhos, ajudar a família, montar um negócio ou mudar para um imóvel de maior valor:
— O erro mais comum é a pessoa começar a gastar sem ter a percepção exata de até onde esse dinheiro chega - disse. Isso é importante para evitar que, após alguns anos, o dinheiro acabe em uma situação que o padrão de vida do ganhador, e seus compromissos financeiros, serão maiores.