Brasil

Pai relata revolta da filha por não ir à escola em dia de tiroteio na Maré

Imagem já foi compartilhada mais de 250 vezes no perfil 'Maré Vive', no Facebook

Agência O Globo

O perfil no Facebook "Maré Vive" publicou o relato de um pai que fala da reação da filha ao saber que não poderia ir à aula por causa de um tiroteio que acontece no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, na manhã desta terça-feira. Segundo ele, a menina chorou ao ouvir o barulho dos tiros:

"Escuta esse barulho pai, é tiro de novo, né! Caramba não vai ter aula. E lágrimas descendo do rosto". Já ele critica a operação policial por alterar a rotina de moradores: "Essa é minha filha, mais uma pessoa com a rotina alterada pela operação policial na Maré".

Desde cedo acontece uma operação da Polícia Civil no conjunto de favelas, e já houve confronto com traficantes. Segundo a Secretaria municipal de Educação, estão sem atendimento na Maré 12 escolas, quatro creches e cinco Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs) que atendem a 7.596 mil alunos. Uma escola estadual também suspendeu as aulas.


Muitos moradores comentaram a postagem, que já foi compartilhada mais de 250 vezes até o início da tarde na página do 'Maré Vive'. A maioria fala da reação dos filhos nos momentos de tiroteio: "Eu fico muito triste com isso. Tenho uma filha de 6 anos e ela, quando ouve tiros, coloca a mão no ouvido para não escutar. Ando com meu psicológico abalado por causa de tiros. É horrível. Só Deus por nós".

"O futuro do nosso país depende dessas crianças. Triste realidade das nossas crianças da Maré que não pode nem ir ao colégio direito". "Tenho uma filha também, ela fica super nervosa quando tá tendo esses tiroteios, até passar mal ela passa".

"A minha filha chora e fala que melhor tirar logo da escola. Ninguém tem paz nesse inferno". "Na moral, nós, moradores de favela, precisaríamos de um psicólogo, pois vivemos em adrenalina 24 horas por dia. Não é à toa que a maioria que tem infarto e AVC são pessoas que moram nesses lugares. Se isso ja deixa nosso sistema nervoso alterado, imagine de nossas crianças. Aqui nao é Síria, mais vivemos em guerra".