Brasil

Papa pediu investigação de esquema que desviou R$ 2 milhões da igreja

Bispo, padres e empresários desviaram dízimos da Diocese de Formosa, em Goiás

Redação Correio 24h

Um esquema montado por cinco padres, um bispo e dois empresários em Goiás desviou mais de R$ 2 milhões de dízimos e doações para compra de carros. Todos os oito envolvidos foram presos na última segunda-feira (19), após uma investigação do Ministério Público de Goiás (MP-GO). Mas, de acordo com a Nunciatura Apostólica, que atua como embaixada da Santa Sé, o Papa Francisco já havia determinado que as contas da Diocese de Formosa fossem investigadas. O pedido do papa aconteceu no início do mês, quando também foi nomeado uma espécie de "interventor" - o arcebispo de Uberaba (MG), Dom Paulo Mendes Peixoto - para apuração do caso.

Foto: Reprodução

A organização criminosa foi revelada a partir de uma investigação do MP-GO, que interceptou ligações telefônicas e flagrou um dos padres confirmando a compra de carros com o dinheiro que fiéis doaram à Diocese de Formosa, município do interior de Goiás. “Ainda bem que os carro pagou direitinho, né Rubinho? (sic)”, questiona o padre Moacyr Santana, pároco da Catedral Nossa Senhora Imaculada Conceição, na ligação. Em seguida, o empresário Antônio Rubens, o "Rubinho", concorda.

As escutas telefônicas autorizadas pela Justiça ainda apontam que o grupo comprou uma fazenda de criação de gado e uma casa lotérica com dinheiro desviado de dízimos e doações. Na decisão que determinou as prisões temporárias, o juiz disse haver indícios de que o dinheiro era usado para despesas pessoais e que carros da Diocese de Formosa eram usados com fins particulares.

O nome Operação Caifás é uma alusão a Joseph Caiaphas que, de acordo com a Bíblia, foi o sumo sacerdote que entregou Jesus a Pôncio Pilatos. O MP passou a averiguar os fatos após fiéis comunicarem aos promotores a suspeita de desfalques que teriam sido iniciados em 2015.