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Pastor acusado de abusar do enteado é absolvido pela Justiça três anos depois

Felipe Garcia Heiderich foi preso em 2016 sob a suspeita de ter abusado de um garoto de 5 anos

Agência O Globo
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O pastor Felipe Garcia Heiderich, preso em 2016 sob a suspeita de ter abusado do próprio enteado, à época com 5 anos, foi absolvido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em meados de abril após um pedido do Ministério Público do estado para tal decisão. O processo correu em segredo de justiça.

Heiderich postou um vídeo em sua página do Facebook em que comemora o fim de um período marcado por "dor e sofrimento". Embora ele diga que ainda haja perguntas não respondidas envolvendo fatos ocorridos há três anos, frisou que agora pretende curtir o momento com sua família e retomar sua vida "de cabeça erguida".

Foto: Reprodução | Redes Sociais

"Depois de quase três anos de dor e de sofrimento, graças a Deus, tanto o Ministério Público pediu minha absolvição, como o juiz acaba de decretar que sou completamente inocente de tudo que me acusaram. Eu sei que existem muitas perguntas, por que eu fui sequestrado, mantido em cárcere privado, por que tudo isso aconteceu, mas nesse momento, mesmo que eu esteja com 25 quilos a menos, eu só quero abraçar a minha família e poder sair na rua de cabeça erguida, dizendo: 'Olha só, era tudo mentira e agora tenho como provar'. Vocês não precisam só acreditar na minha palavra. Eu tenho as provas de que eu fui declarado inocente de tudo", afirma o pastor.

A defesa de Heiderich frisou, em nota divulgada na página no Facebook do escritório de advogacia Leandro Meuser Advogados, que acredita na manutenção da absolvição dele em caso de recurso.

"O único laudo oficial produzido pela Polícia Civil deste Estado, por dois profissionais isentos, qualificados e de larga experiência, não concluiu pela existência de qualquer abuso, verificando também, que a suposta vítima foi possivelmente sugestionada pela Mãe para dar falsas informações aos entrevistadores", diz trecho do comunicado.

"Um dos fatores que levou a deflagração da Ação Penal no ano de 2016, foi a existência de dois laudos fornecidos pela Representante Legal do Menor, que em Juízo, foram descartados por terem sido elaborados por pessoas próximas da Representante do menor e carecem da necessária imparcialidade", explicou o escritório.

Assim como Heiderich, a ex-mulher dele Bianca Toledo, também pastora, se manifestou por meio das redes sociais. Ela, porém, mostrou-se insatisfeita com o resultado e reafirmou que o filho sofreu abuso sexual.

"Eu não tenho e nunca tive motivos para mentir. Somente fiz o que toda MÃE precisa fazer ao ouvir o relato de um filho que passou por essa situação tão desoladora", contou Bianca em nota postada no Instagram. "Nós queremos e confiamos na justiça e esta foi só a primeira instância de um processo longo e doloroso, mas que não desistirei até provar a verdade".

Apesar disso, afirmou que não vai "tocar novamente neste assunto tão doloroso", ressaltando que está em segredo de justiça. Bianca disse ainda que recebeu ameaças enviadas por internautas.

"Apenas preciso colocar uma nota pública diante de algumas ameaças que recebi em redes sociais e do posicionamento de pessoas que querem falar de um assunto que consideram em alta somente para aparecer, sem saber de fato o que houve", escreveu Bianca. "Reafirmo: este assunto está em segredo de justiça e não será tratado publicamente em redes sociais como muitos querem. Esta é uma dor que só importa aos envolvidos, sendo que uma delas é uma criança, meu amado filho, que merece privacidade e proteção".