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Paulo Gustavo: entenda o que significa um quadro irreversível mesmo com sinais vitais

iBahia conversou com a médica e professora Tamires Barreto sobre as informações divulgadas no boletim para entender melhor o estado de saúde do humorista

Aymée Francine e Lívia Oliveira
- Atualizada em

O ator Paulo Gustavo, que está internado desde março por complicações da covid-19, teve uma piora significativa no quadro clínico após ter embolia gasosa na última segunda-feira (3). Isso acontece quando bolhas de ar entram no sistema circulatório, impedindo o fluxo de sangue para algumas partes do corpo. Nesta terça-feira (4), um novo boletim médico apontou que, mesmo apresentando sinais vitais, o estado clínico do humorista é irreversível. 

O iBahia conversou com a médica e professora Tamiris Barreto, da startup de educação médica Sanar, sobre as informações divulgadas no boletim com a finalidade de entender melhor o estado de saúde de Paulo. 

De acordo com a médica, o sistema circulatório é fechado, portanto não pode existir a presença de nada que não seja sangue nas artérias do nosso corpo. "Se por alguma razão uma artéria fica obstruída, impedindo a circulação sanguínea, é causada uma isquemia. Quando isso acontece na cabeça pode causar um dano neurológico irreversível. Com a falta de oxigênio no cérebro, as células neuronais começam a morrer e não tem como voltar atrás", explicou Tamiris Barreto. 

Embolia gasosa

A embolia gasosa é causada por uma fístula bronquíolo-venosa - uma ruptura entre brônquios e veias, que impede o acesso do ar ao sistema respiratório. "Existe uma fístula entre o brônquio, que é um canal que leva ar da traqueia para o pulmão, mas nesse caso o brônquio se conectou com a veia e levou ar para onde não deveria. Esse ar, esse gás [que foi para onde não deveria], forma o êmbolo (células sanguíneas coaguladas), que é capaz de obstruir a artéria e impedir o fluxo sanguíneo dessa região para outros locais. Esse embolo pode viajar pelo corpo e causar uma lesão irreversível se chegar em uma artéria cerebral", detalhou a médica. 

Caso chegue em uma artéria cerebral, acontece de o ar chegar no sistema central e impedir a circulação sanguínea na região, o que mata células nervosas (neurônios). "Essa situação é semelhante ao que aconteceria caso o paciente tivesse um AVC (entupimento ou rompimento dos vasos que levam sangue ao cérebro). O resultado é que, no final das contas, tem-se uma perda de tecido cerebral, que (provavelmente) não tem volta", acrescenta Tamiris. 

Tem como corrigir uma perda de tecido cerebral? "Caso a equipe médica consiga corrigir cirurgicamente a fístula, é provável que o paciente não se recupere das sequelas de jeito nenhum. Além disso, são menores as chances dele acordar do coma depois", esclarece. 

Paulo Gustavo continua vivo

"Apesar da irreversibilidade do quadro, quer dizer que apesar de o tecido ter morrido o paciente apresenta sinais vitais, ou seja, o coração continua batendo de forma espontânea", avalia a médica. 

A profissional também explica que quando a embolia está disseminada, as bolhas de ar se espalharam pelo corpo, pode provocar a falecia múltipla de órgãos. "É como se o corpo estivesse se deteriorando", finalizou.