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Polícia diz que terceiro jovem também foi 'mentor intelectual' de ataque em Suzano

Delegado, contudo, afirmou que ainda não há informações sobre os motivos que levaram o jovem a não participar do ataque

Agência O Globo
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo informaram nesta terça-feira que o jovem apreendido nesta terça-feira, acusado de ter contribuído para o planejamento do ataque a tiros na escola Raul Brasil, em Suzano, seria um dos mentores intelectuais do massacre que matou oito pessoas na última quarta-feira. De acordo com o delegado Alexandre Henrique Augusto Dias, foram apresentadas provas de conteúdo cibernético, como mensagens de aplicativos, que apontam para a participação do adolescente no planejamento do crime.
"Estou convencido", disse Dias, que explicou: "Com as provas testemunhais, as provas carreadas aos autos. Foi mentor intelectual, comprou objetos que poderiam fazê-lo participar do delito, teve participação na compra de outros objetos".
O delegado, contudo, afirmou que ainda não há informações sobre os motivos que levaram o jovem a não participar do ataque. Mais cedo, logo após a audiência no Fórum de Suzano, o advogado do adolescente criticou o que chamou de "rolo compressor" no caso, que incluiria o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, e a cobrança do governador João Doria por responsabilizações no caso.
Para o delegado, as evidências apontam para a participação do adolescente na preparação do crime. O delegado também confirmou que o exame necroscópico confirmou que um dos jovens que participou do ataque, Guilherme, atirou no outro, Luiz Henrique, e depois cometeu suicídio. De acordo com os investigadores, o próximo passo é identificar a origem da arma calibre 38 utilizada no ataque e também apurar a participação de outros suspeitos.
O promotor Rafael do Val, que apresentou a representação pela internação provisória do adolescente, afirmou que as investigações também estão monitorando pessoas que exaltaram o crime nas redes. Os envolvidos participavam de um fórum de discussões conhecido pelo discurso de ódio, racismo, machismo e homofobia.
"Aqueles que tem exaltado atentados terroristas a escolas como Columbine ou como o que ocorreu com Suzano estão sendo monitorados e serão responsabilizados. Estamos monitorando e posteriormente vamos apurar a responsabilidade penal de cada um", disse.
As investigações da Polícia são baseada sobretudo nos depoimentos prestados por professores e outras pessoas próximas ao jovem. Na última sexta-feira, data da primeira apreensão do adolescente, também foram levados para perícia o celular dele. A análise revelou que o aparelho era roubado, embora não esteja claro se o adolescente furtou o aparelho ou adquiriu ele de forma ilícita.
Para o advogado Marcelo Feller, parte da conversa apresentada vai de encontro à tese de que o adolescente sabia do ataque: logo após ficar sabendo dos tiros na escola, ele envia uma mensagem avisando um dos atiradores. Feller também afirmou que, possivelmente, o adolescente conversou a sós com um dos delegados do caso, o que seria contrário ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
De acordo com o delegado-chefe da seccional de Mogi das Cruzes, Alexandre Dias, não houve qualquer violação à lei na tomada dos depoimentos.
"Os depoimentos foram colhidos sob a forma da lei, sempre acompanhados por psicólogos", disse.