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Porco de estimação? Saiba mais sobre o fofíssimo mini pig

Sensação ao redor do mundo, bicho nem sempre fica tão pequeno quanto o nome diz

Giuliana Mancini, do Correio 24h (giuliana.mancini@redebahia.com.br)

Se você era criança nos anos 1990, provavelmente assistiu ao filme Babe, o Porquinho Atrapalhado. O longa narrava a história de um porco superfofo, que achava que era um cachorro - tanto que fez o dono dele o inscrever num  Campeonato Nacional de Cães Pastores.  Essa história pode até ser baseada em um romance inglês, mas tem similaridades aqui na Bahia. Isso é o que jura Rafael Cabalero.


Foto: Reprodução | Instagram

O médico veterinário adotou Filó há cerca de 8 meses, quando o antigo proprietário da porquinha desistiu de cuidar dela. Especializado em animais silvestres e exóticos, aceitou a missão. Afinal, já tinha vários outros bichos em casa. Com tantas companhias, Filó achou sua turma: a dos cachorros.

“Ela pegou o comportamento deles. Quando chego, por exemplo, os cães vão até a porta me receber, e ela vai junto”, diz. Prestes a completar 1  ano, a porquinha recebeu outro nome - hoje se chama Flica - e tem cerca de 30kg. Ela é uma ‘mini pig’ ou ‘miniporca’.

Foto: Arquivo pessoal

Mas, afinal, o que são esses bichos? “São uma mistura de raças e linhagens menores dos suínos, criados com o cruzamento dos porcos de menor porte”, explica o médico veterinário Rodrigo Arapiraca. “Enquanto um porco comum tem peso entre 150kg e 200kg, os minis têm média de 25kg”.

Por serem oriundos de um cruzamento genético, não há uma raça definida dos mini pigs. Cada fazenda de criação tem os seus e vende por valores que variam entre R$ 800 e R$ 1.500. Como a maioria desses lugares fica no estado de São Paulo, há, possivelmente, o acréscimo de frete.

Foto: Reprodução | Instagram

Apesar de serem menores que os suínos comuns, isso nem sempre quer dizer que os mini pigs ficarão, de fato, minis. “A genética importa, mas também a alimentação. Quanto mais carboidratos e proteínas o dono dá, mais o porco crescerá”, fala Arapiraca. Por isso, Rafael escolheu para Flica uma dieta com frutas, verduras e legumes. Uma vez na semana, somente, dá alimentos como a soja, rica em proteínas.

Vantagens...

Entre os atrativos para se ter um porco está o fato de que a expectativa de vida é bem maior que a de outros animais domésticos mais comuns: em média, vivem 20 anos, mas há alguns que seguem até três décadas. “Eles também são bem inteligentes e sociáveis. É uma opção para aquelas pessoas que acabam não podendo criar bichos como cão e gato por alergia a pelo, ou algo do tipo”, opina o médico veterinário Márcio Andrade. Isso é porque os porcos têm poucos pelos em comparação a esses outros animais.



“Eles ainda podem ser domesticados e se acostumar a andar com coleiras se criados desde pequenos, por exemplo. Os suínos também fazem suas necessidades sempre no mesmo lugar”, lembra Talita Pinheiro Bonaparte, zootecnista e professora de suinocultura e avicultura da Ufba.

“Os porcos adoram receber carinho. São animais extremamente afetuosos. Se forem acostumados desde filhotes com outras espécies de bichos domésticos, convivem em harmonia”, garante a médica veterinária Tatiana Feuchard.

Foto: Arquivo pessoal

Ela era a responsável por cuidar de George, o miniporco de estimação do Mundo Pet (localizado na Av. Juracy Magalhães Júnior, no Rio Vermelho). Hoje em dia, o bicho vive em uma fazenda de um dos ex-funcionários do  local - e já arrumou até namorada. Mas, quando ainda morava em Salvador, era o xodó de Tatiana. “Tomar conta dele era muito divertido! O George é um supercompanheiro, animal de estimação mesmo”, derrete-se.

...e desvantagens

Nem tudo é fácil na vida de quem tem um porco de estimação. “Flica é muito gulosa e muito forte. Uma vez, ela descobriu que a comida dela ficava na cozinha, só que a porta estava fechada. Ela praticamente arrombou para entrar lá. Também já tentou abrir a geladeira”, recorda Rafael. “Os suínos conseguem ainda arrastar móveis, como sofás”, diz Arapiraca.

Foto: Arquivo pessoal

Por naturalmente não transpirarem, eles normalmente trocam calor na natureza - por isso que, comumente, vivem, em fazendas, na lama. Assim, não toleram temperaturas altas.  “Se o dono for sair com o animal em um dia de bastante sol, tem que passar protetor solar”, lembra Márcio Andrade. “O uso de hidratantes, duas vezes por semana, também é indicado, pois eles possuem a pele muito ressecada, o que favorece a descamação”, completa Tatiana.

Apesar dos problemas com calor e de pele, eles não complicam na hora da higiene. “São animais extremamente limpos, além de adorarem tomar banho. Podem ser semanais,  sempre com xampu neutro e água morna”, segue a veterinária.

Foto: Reprodução | Instagram

Outra complicação de se ter um porco doméstico é o grunhido que ele faz.  “Se o dono morar em um apartamento, o som pode atrapalhar a convivência com o condomínio”, conta Márcio.

“Eles podem gritar para receber alimentação. E, como precisam fazer atividade física, se viverem em apartamento e não sairem para passear, podem ficar estressados e agressivos. E isso também faz eles vocalizarem demais”. Por fim, para se viver em ambientes domésticos, é necessária a vacinação, assim como em cães e gatos, e a vermifugação semestral.