Brasil

'Pressão está forte para me candidatar', diz Bolsonaro sobre eventual reeleição em 2022

Presidente reconheceu que a proposta de seu governo de reforma da Previdência é impopular, e afirmou que não teme que o projeto

Agência O Globo
O presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta segunda-feira a possibilidade de se candidatar à reeleição, em 2022. Bolsonaro, no entanto, condicionou uma eventual candidatura à aprovação de uma reforma política para reduzir o tamanho da Câmara e Senado. E ponderou também que apenas será candidato se seu estado de saúde mantiver o quadro de evolução.
O presidente passou por uma cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal após ser esfaqueado na barriga, em setembro, durante um ato de campanha.
— A pressão está muito grande para que se eu estiver bem, que me candidate à reeleição — disse o presidente, em entrevista a rádio Jovem Pan, no Palácio do Planalto.
Bolsonaro prometeu que, caso seja candidato, fará diferente de outros políticos brasileiros, cuja reeleição, segundo ele, acaba se tornando uma espécie de "desgraça", e que só se tona possível por meio de “acordos espúrios que levam a escândalos de corrupção”.
Ao fazer essa menção, Bolsonaro disse estar se referindo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
— Não quero jogar dominó com ninguém em Curitiba — provocou o presidente, numa referência a sede da Polícia Federal, onde Lula cumpre pena a 12 anos e um mês de prisão após a condenação no caso do tríplex do Guarujá.
Bolsonaro reconheceu que a proposta de seu governo de reforma da Previdência é impopular, e afirmou que não teme que o projeto cause qualquer empecilho a uma eventual candidatura:
— Se eu pensasse em reeleição faria uma reforma light, ou não faria. Mas (sua eventual candidatura) poderia não sobreviver em 2022 — concluiu.
Foto: Marcos Corrêa/Divulgação Presidência
'Reforma depende de outro poder'
Bolsonaro afirmou que a aprovação da reforma da Previdência agora "depende de outro poder", o legislativo, mas frisou que o executivo "tem feitos gestões", já que tem uma bancada de deputados grande.
- A proposta mais importante vem da economia, do ministro Paulo Guedes. A reforma depende agora de outro poder - disse o presidente.Ele frisou que a aprovação do projeto seria positivo para o mercado financeiro e aumentar a confiança dos investidores.
O presidente afirmou que a aprovação da proposta não será fácil em razão da oposição que, em suas palavras, "torce pelo pior". Contudo, ele disse que até mesmo o PT torce pela aprovação da proposta, embora não queira o desgaste político que o projeto acarreta.
- O pessoal do PT está torcendo pra aprovar a previdência sem o voto deles. Os governadores deles também precisam. Eu conversei com o governador do Ceará - disse o presidente.
O presidente também foi questionado sobre polêmicas que ocorreram após postagens dele e dos seus filhos no Twitter. Bolsonaro disse que não se arrepende e afirmou que seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro, é quem auxilia na coordenação dos trabalhos.
O presidente disse que a rede social não toma mais de meia hora do seu dia e negou que as postagens de Carlos atrapalhe o governo.
- Ele (Carlos) que me colocou aqui. Atrapalhando o que? Acho que ele deveria ser ministro. Mas ele não está pleiteando isso. Foi a mídia dele que me colocou aqui - afirmou o presidente.