Brasil

Quarentena pelo coronavírus aumenta denúncias de violência doméstica em 18%

Especialistas e organizações de defesa dos direitos das mulheres já vinham apontando para a possibilidade de aumento de casos

Agência O Globo

Dados do Ligue 180 demonstram que, durante a quarentena recomendada como forma de conter a propagação do novo coronavírus, houve um aumento de 8,5% no número de ligações para o canal do governo federal que recebe denúncias de violência contra a mulher.

Segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, a média diária entre os dias 1º e 16 de março foi de 3.045 ligações recebidas e 829 denúncias registradas, contra 3.303 ligações recebidas e 978 denúncias registradas entre os dias 17 e 25 deste mês. No número de denúncias, o aumento registrado foi de 18%.

Especialistas e organizações de defesa dos direitos das mulheres já vinham apontando para a possibilidade de aumento de casos de violência doméstica neste período, uma vez que o confinamento obriga vítimas a conviverem com seus agressores por longos períodos.

“Pela nossa experiência, sabemos que o agressor é, na maioria das vezes, uma pessoa da família ou então muito próxima. Por isso, durante a quarentena, estamos reforçando os mecanismos que ajudam essas mulheres a denunciar”, disse a ministra Damares Alves, em nota publicada no site da pasta. O comunicado diz ainda que o ministério planeja lançar um aplicativo e um site para o Ligue 180, para que as denúncias possam ser feitas de forma mais segura pela vítima.

Mulheres vítimas de violência podem registrar denúncia pelo Ligue 180, do governo federal ou acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. Também podem registrar boletim de ocorrência junto às delegacias da mulher, que continuam funcionando 24 horas por dia, ou em qualquer delegacia comum. 

— As mulheres acabam ficando mais vulneráveis em uma situação como essa, mas isso não as impede de buscar ajuda. Os casos emergenciais continuam sendo atendidos. Esses serviços não vão deixar de funcionar — alertou promotora de Justiça Lúcia Iloízio, sub-coordenadora criminal do Ministério Público do Rio.