Brasil

Queixas sobre golpes bancários por internet ou aplicativo crescem 297% em um ano

Tipos de transações mais realizadas pelos brasileiros são: transferências entre contas, pagamentos de faturas e consultas de saldos

Agência O Globo
- Atualizada em

Ir a agências bancárias e enfrentar filas para resolver assuntos financeiros é coisa do passado para uma parcela significativa da população. Segundo um levantamento feito pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), referente ao ano de 2016, cerca de 9,5 milhões de correntistas já fazem mais de 80% de suas transações pela internet ou pelos aplicativos dos bancos, o chamado mobile banking. No ano de referência, 57% das movimentações bancárias foram realizadas por meios digitais.

Segundo o mesmo levantamento, os três tipos de transações mais realizadas pelos brasileiros por meio de aplicativos são transferências de recursos entre contas, pagamentos de faturas e consultas de saldos.

À medida que o número de acessos pelo site da instituição financeira ou pelo app crescem, o número de reclamações junto ao Banco Central (BC) segue o mesmo fluxo. Em 2016, foram registradas 425 queixas referentes ao sigilo e à segurança dos canais de acesso às contas pela web. No ano seguinte, o número passou para 1.688 reclamações, o que representa um aumento de 297%.

Questões legais sobre ressarcimento de valores:

Procure o banco

De acordo com o advogado Leandro Bissoli, especialista em Direito Digital, caso o correntista perceba que sua conta foi alvo de alguma movimentação estranha (pagamento de contas não conhecidas e gastos em cidades ou estados nos quais a pessoa não esteve), o primeiro passo é procurar a agência onde a conta foi aberta e conversar com o gerente sobre o ocorrido.


Investigação

É comum que a instituição financeira abra uma investigação para descobrir a origem do golpe. Segundo Bissoli, as tecnologias relacionadas à segurança bancária no Brasil são muito eficientes e permitem a identificação de quem cometeu a fraude. Caso o banco não se pronuncie, o correntista deve procurar amparo na Justiça ou junto ao Procon regional.


Devolução

O advogado explica que não existem normas que os bancos devem obrigatoriamente seguir sobre o que deve ser ressarcido ou não. De acordo com ele, cada caso é avaliado minuciosamente. As instituições levam em conta a conduta do correntista e analisam se ele contribuiu, de alguma forma, direta ou indiretamente, para que a fraude se concretizasse.


Legislação

Para Leandro Bissoli, a legislação brasileira consegue atender satisfatoriamente aqueles que são vítimas de crimes financeiros por meio da internet. Ele relembra a lei dos crimes digitais, conhecida como Lei Carolina Dieckmann, com um parágrafo que trata da conduta de usuários que disseminam arquivos maliciosos nas redes.

Investimento

Segundo a Febraban, os bancos investem, anualmente, cerca de R$ 2 bilhões em sistemas de Tecnologia de Informação (TI) voltados exclusivamente para a área de segurança. De acordo com a entidade, as instituições financeiras também atuam em parceria com governos e polícias, e com o Poder Judiciário, para combater os crimes e propor novos padrões de proteção.


Atenção ao navegar

A cada 20 mensagens de texto enviadas, uma contém alguma mensagem maliciosa que redireciona o usuário para uma página ou um programa-espião. Por isso, ele recomenda atenção ao que é recebido e, principalmente, onde o usuário clica. Os sistemas bancários são eficientes. Por isso, os ataques se voltam contra os usuários.