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Reconstrução de rosto de mulher espancada por 4h vai durar seis meses, diz médico

De acordo com o cirurgião, a operação não foi realizada anteriormente porque, quando a vítima deu entrada no hospital, seu estado de saúde era grave

Diego Amorim, da Agência O Globo

As cirurgias necessárias para a reconstrução do rosto de Elaine Caparroz, de 55 anos, serão feitas em duas etapas e vão durar seis meses. Segundo o cirurgião Ricardo Cavalcanti Ribeiro, chefe do setor no Hospital Casa de Portugal, no Rio Comprido, Zona Norte, onde Elaine está internada, a primeira fase será a reconstrução dos ossos, já que ela tem fraturas múltiplas na face. Depois, daqui a cerca de seis meses, serão feitas as correções estéticas.

Foto: Reprodução
— Quando se tem ferimentos desse tipo, é preciso esperar o organismo cicatrizar as lesões e os tecidos ficarem todos maturados antes de iniciar o tratamento. A gente vai avaliar isso daqui a alguns meses, para aí sim determinar o que precisará ser feito. Já as cirurgias de reconstrução dos ossos da face serão feitas neste momento — explica o médico.

De acordo com o cirurgião, a operação não foi realizada anteriormente porque, quando a vítima deu entrada no hospital, no último sábado, seu estado de saúde era grave. O médico explica que há uma ordem de prioridades no atendimento, e que, naquele momento, quando a equipe a atendeu no setor de emergência, a preocupação era minimizar o risco de morte. Apesar de comum, a cirurgia que será feita por Elaine é considerada complexa:
— Sempre tem um grau de complexidade. São cirurgias nas quais o objetivo é realinhar o que foi fraturado. O que tiver desalinhado, você realinha. Vou avaliar isso — afirma.

O médico destaca que o caso de Elaine se assemelha a um grave acidente de carro:
— Na época em que o cinto de segurança não era obrigatório, as pessoas eram projetadas para a frente e enfiavam o rosto no para-brisas. É um impacto comparado a isso.
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Espancada por quatro horas no último sábado, após ter o primeiro encontro com Vinícius Batista Serra, Elaine sofreu várias fraturas no rosto. As agressões ocorreram na madrugada de sábado. Elas começaram por volta de 1h e se estenderam até quase 5h30. Foram socos e mordidas, entre outros golpes. Os dois haviam se conhecido pela internet e conversaram durante oito meses. Foi quando decidiram marcar um encontro na casa da vítima.


Encarregada da investigação do caso, a delegada Adriana Belém, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), disse que espera a liberação do hospital para ouvir o depoimento de Elaine.

— Pegar o depoimento dela é muito importante para sabermos exatamente como o crime aconteceu, se ela realmente dormia quando começou a ser agredida ou se estava acordada — explicou a delegada, que vai buscar possíveis agravantes para a tentativa de feminicídio.