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Simony entra com ação judicial contra Dudu Camargo por importunação sexual

O advogado de Simony, Eneas Matos explicou que o Ministério Público decidirá se denuncia ou não Dudu Camargo após a conclusão da investigação

Agência O Globo
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A cantora Simony decidiu registrar uma representação por importunação sexual contra Dudu Camargo. A queixa foi realizada na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo, após a cantora ter o seio apalpado pelo apresentador durante uma transmissão ao vivo da emissora RedeTV! do Carnaval 2020.

O advogado de Simony, Eneas Matos, confirmou a presença da cantora na delegacia na sexta-feira, dia 28, e explicou que o Ministério Público decidirá se denuncia ou não Dudu Camargo após a conclusão da investigação.

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— Acredito que o MP vá decidir pela denúncia, devido à gravidade do crime e às provas incontestáveis — diz.

Em entrevista à coluna da Patrícia Kogut do O GLOBO, logo depois do ocorrido, Simony disse que se sentiu constrangida:

— Sou uma pessoa muito transparente, então, ficou visível que não gostei. Não sou do tipo que fica levantando bandeiras nem nada, mas não tocar no corpo do outro sem autorização é uma questão de respeito — afirma.



Danos morais

A cantora também entrará com um processo por danos morais contra o apresentador. Caso vença, Simony pretende destinar a indenização a instituições de defesa das mulheres.
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— Ainda esta semana vamos entrar com a ação, tendo em vista a importunação sexual e a ofensa contra a liberdade sexual e a sua integridade física e moral, principalmente. Ninguém pode ser importunado dessa forma, de maneira acintosa. Como toda mulher, ela ficou congelada, sem saber o que fazer. Foi uma situação bastante grave e o Brasil inteiro viu que não teve consentimento. Esperamos a condenação nas duas esferas, para que sirva de exemplo e outras mulheres tomem coragem para denunciar — afirma o advogado.

Desabafo


No dia 22, Simony desabafou sobre a situação no seu perfil do Instagram. A cantora publicou um texto pedindo respeito às mulheres junto de duas imagens com a frase "não é não".

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O meu carnaval mal começou e hoje, ao chegar em casa , me deparei com o descontentamento do meu filho e de boa parcela do público que se mostrou indignado com o fato de um homem ter passado a mão no meu peito em cadeia nacional. Eu estava ao Vivo na Rede Tv, realizando meu trabalho ao lado de colegas da profissão e por mais “permissiva” e brincalhona que possa sugerir ser uma transmissão de bastidores do carnaval, me senti mal, me vi vulnerável em uma situação desagradável que eu gostaria de dividir com vocês como mulher e mãe. Aqui não falo somente por mim mas por outras mulheres que não somente nesse período mas todos os dias se deparam com episódios em que um homem se vê no direito de passar a mão, fazer “brincadeiras” de mal gosto e em ultimo grau forçá-las a algo que não querem. Eu poderia achar que o que Dudu Camargo fez foi apenas “brincadeirinha” mas sinceramente me senti mal em não poder dizer ali o que eu achei da cena. Ele passa a mão em mim como se estivesse apalpando um pedaço de carne, me puxa o pescoço e fala que está querendo “procriar”, oi?. Ali estava claro que a “brincadeira”de Dudu era sexualizada, queria mostrar-se como “macho” afim de satisfazer sua vontade sem pedir, sem perguntar, sem pensar que além dele existia ali a minha vontade. Com todo o respeito ao Nelson Rubens, pessoa que admiro, também não gostei de ser “disponibilizada” por estar solteira como se estivesse a espera de alguém a qualquer momento. A mulher é e está como e com quem ela bem entender, o fato de usar um decote e uma roupa curta e decotada não quer dizer que quer ser possuída ou agarrada por um homem, chegamos a um tempo em que é necessário evoluir e entender de uma vez por todas que o direito a vontade de um acaba onde começa o do outro. Mulheres não existem para procriarem ou serem assediadas por homens e agarradas ao bel prazer. A cada carnaval o assunto do assédio deve ser levado mais a sério, o “não é não” precisa ser entendido como um código a ser respeitado, as delegacias de mulheres precisam estar por toda parte. Se continuarmos achando normal esse tipo de coisa não precisaríamos ter vagões de metrô só para mulheres. CONTINUA EM OUTRO POST

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