Brasil

Universitárias denunciam colegas que incitam estupro em grupos de Whatsapp

Os acusados também seriam alunos da instituição. Cerca de 15 mulheres teriam sido expostas no grupo

Louise Queiroga, da Agência O Globo

Quatro estudantes da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em Belém, registraram boletim de ocorrência na Divisão de Proteção e Repressão a Crimes Tecnológicos (DPRCT) nesta terça-feira (07) contra pelo menos dois integrantes de um grupo no WhatsApp que incitaram estupro e compartilharam imagens íntimas de colegas, além de terem enviado mensagens de cunho racista e homofóbico. Os acusados também seriam alunos da instituição. Cerca de 15 mulheres teriam sido expostas no grupo.

Foto: Reprodução
Protestos foram realizados no campus nos últimos dias, pedindo que eles sejam expulsos. Nos prints compartilhados nas redes sociais, é possível ler frases como "Bora logo meter o estupro", seguido por risadas e uma resposta: "Estupro não. Sexo surpresa". Mas as acusações não param por aí. Comentários racistas também apareceram em meio às conversas: "Tô querendo comprar um anão, acho que branco deve tá caro. Um negro deve ser mais barato".

Os estudantes da Ufra ficaram indignados após vir à tona o que era dito nesse grupo de WhatsApp. Cartazes com as frases mais marcantes foram espalhados nas paredes da universidade, expondo seus autores. O caso gerou repercussão nas redes sociais.
Foto: Reprodução
"Hoje (terça-feira), nós alunas da Ufra, fechamos a pista da universidade cobrando respostas e justiça em relação ao grupo machista, racista e homofóbico, mas muitos viram como bagunça e mimimi. Até quando meu Deus? Lutar hoje não tá fácil, mas continuo. LUTE COMO UMA MULHER!", escreveu uma usuária do Twitter.

"Criaram um grupo de machos na Ufra onde a grande maioria ali faz apologia ao estupro, racismo e machismo e compartilhamento de nudes onde eles classificam as moças de melhor a pior. Estão expondo todos. Acho pouco", disse outro internauta.


Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil do Pará, quatro estudantes citadas no grupo estiveram com o delegado Carlos Silveira da DPRCT e lhe mostraram os prints das conversas do grupo, relatando que os autores eram estudantes da universidade. As vítimas devem ser ouvidas pela polícia às 15h desta quarta-feira (08). Elas também levarão seus celulares, onde estão as conversas.

Em nota, a Ufra disse repudiar "veementemente as ações de apologia a crimes previstos na legislação brasileira", mas que "não cabe a esta Universidade controlar os conteúdos exauridos por alunos em seus aparelhos telefônicos pessoais, mesmo não compactuando com tais conteúdos".

Leia abaixo, na íntegra, a nota da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA):
"A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), por meio desta nota, repudia veementemente as ações de apologia a crimes previstos na legislação brasileira, feitas por meio de aplicativos de celular, pelos quais incorrem em comentários de cunho capcioso, ilegal e indignos à pessoa humana, além de apresentarem-se inadequados ao ambiente acadêmico. No entanto, não cabe a esta Universidade controlar os conteúdos exauridos por alunos em seus aparelhos telefônicos pessoais, mesmo não compactuando com tais conteúdos.

Adicionalmente, temos a informar que esta gestão da UFRA tem agido para prevenir e apurar infrações dessa natureza, prestando o devido apoio psicossocial aos alunos e realizando os encaminhamentos cabíveis".