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Vai viajar para países com coronavírus? Especialistas dizem o que é melhor fazer

Médicos e ministro da Saúde recomendam reavaliar necessidade da viagem e falam sobre como agir para passear em segurança

Constança Tatsch, da Agência O Globo
- Atualizada em

Brasileiros que estejam pensando em viajar para países da Europa ou da Ásia afetados pelo novo coronavírus devem reavaliar a necessidade, segundo o Ministério da Saúde e médicos ouvidos pelo GLOBO.

— Se não for uma viagem emergencial para países onde o vírus está circulando, seria mais prudente adiar um pouco para que essa situação se defina melhor. E viajar no inverno para esses países sempre implica num risco maior de transmissão — afirma Edimílson Migowski, professor de infectologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo Migowski, caso a viagem esteja planejada para a época do verão no Hemisfério Norte, ele considera um pouco “mais tranquilo”.

Celso Granato, infectologista e diretor Clínico do Grupo Fleury também acha que, sendo possível adiar, é melhor:

— Ainda estamos no inverno europeu e sabemos que os vírus respiratórios se transmitem com mais facilidade no inverno porque as pessoas ficam mais fechadas, mais próximas e o ar é mais seco, o que favorece o vírus. Se for possível postergar um pouco, é melhor, pelo menos até o clima melhorar. Daqui a dois meses a temperatura estará melhor, e certamente vai diminuir a transmissão do vírus.

Para o infectologista, é preciso avaliar a urgência da viagem, o destino, o clima e o perfil do viajante. Pessoas idosas ou com doenças crônicas, como hipertensão ou diabetes, são mais vulneráveis aos sintomas causados pelo Covid-2019.

Granato acredita que agosto e setembro seriam meses melhores para viajar para Europa ou Ásia já que a temperatura vai estar mais quente, e “o surto vai estar equilibrado nesse meio tempo, sendo possível ver a evolução”.  

Para quem for embarcar de todo jeito, o principal cuidado é lavar bem as mãos. As máscaras, no geral, são destinadas a quem está doente porque elas seguram as gotículas com o vírus, mas não são recomendadas como prevenção.  


No avião, quem está a dois metros de distância, ou seja, na poltrona ao lado, nas fileiras da frente ou de trás, pode transmitir vírus respiratório, seja de gripe ou do novo coronavírus. Por isso, quem está doente não deve viajar.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira que os viajantes devem ter "bom senso" na hora de decidir sobre suas idas — e que, se puderem, adiem a viagem para Europa.

— Antes, era o empresário que ia para a China. Agora é o turista que vai para a Europa. Vale o bom senso: se não for necessário, espere — afirmou Mandetta, que também orientou os viajantes a seguirem orientações dos ministérios da Saúde de cada país.

Nos últimos dias, houve um crescimento expressivo no número de casos de Covid-19 em países na Europa, em especial na Itália, que já tem 374 casos (12 mortes), Alemanha 19 casos, França teve 18 (duas mortes) e o Reino Unido, 13.

Espanha, Croácia, Áustria, Bélgica, Suécia, Finlândia e Suíça também já registraram pacientes com o vírus.

Na Ásia, além da China, a Coreia do Sul lidera o número de pessoas infectadas com 1.261 casos e 12 mortes.