Brasil

Vítimas são socorridas em Brumadinho após rompimento de barragem

Segundo o Corpo de Bombeiros, 200 pessoas estão desaparecidas

Camila Bastos, Bárbara Ferreira e Louise Queiroga, da Agência O Globo
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O Hospital João XXIII, em Belo Horizonte acionou o plano de emergência para atendimento de vítimas em situação de catástrofe após o rompimento de uma barragem de rejeitos da Vale nesta sexta-feira em Brumadinho, na Região Metropolitana da capital mineira. Segundo o Corpo de Bombeiros, 200 pessoas estão desaparecidas.

Foto: Divulgação/CBMMG

A população e autoridades locais estão mobilizadas na evacuação de partes da cidades para maiores impactos. Um vereador da cidade relata ter presenciado a retirada de vítimas fatais. Para Beto da Quadra, a expectativa é de que hajam diversas mortes, já que a lama atingiu um refeitório e o povoado do Córrego do Feijão.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES), até o momento, quatro pessoas feridas pelo rompimento estão internadas no João XXIII. Inicialmente, duas mulheres, de 15 e 22 anos, foram socorridas de helicóptero. Mais tarde, uma mulher de 43 anos e um homem de 55 anos foram levados de ambulância. Seus estados de saúde estão estáveis. Os pacientes estão sendo avaliados e passam por exames.

O plano de emergência para catástrofe da unidade significa que praticamente toda a atividade de emergência do hospital ficará voltada para o atendimento às vítimas do rompimento. Com isso, a sala de trauma deverá ter seus leitos disponíveis para elas. Os pacientes estáveis que estiverem no local serão transferidos para outros espaços.

O resgate do Corpo de Bombeiros continua em andamento. Os profissionais do hospital estão sendo chamados a ficar de prontidão diante do ocorrido.


Também faz parte do plano de catástrofe a mobilização de outras unidades de saúde na região.

A Vale informou, em nota, que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco e que havia empregados da mineradora no momento do rompimento.

"Havia empregados na área administrativa, que foi atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas. Parte da comunidade da Vila Ferteco também foi atingida", afirmou a companhia em comunicado à imprensa.

A barragem que se rompeu é usada para recirculação de água da planta e contenção de rejeitos em eventos de emergência. No site da Vale, consta que ela tem cerca de um milhão de metros cúbicos.


O parque do Instituto Inhotim foi fechado por orientação do Corpo de Bombeiros. A medida é válida para funcionários e visitantes e serve como precaução, já que o local não chegou a ser atingido pela lama.

No desastre de Mariana em 2015, foram despejados cerca de 43,7 milhões de m³ de lama, volume próximo do Pão de Açúcar, vazaram de instalações da mineradora no maior desastre ambiental do Brasil. O acidente ocorreu no dia 5 de novembro. Dezenove pessoas morreram, e cidades da região sofrem até hoje com os efeitos dos detritos tóxicos espalhados pelo mar de lama.